Friday, December 26, 2008

Por que tanta gente está lendo O CICLISTA?




Eu não sei; só sei que a premiação e a publicação dessa historia que começa na Patagônia argentina e fala de afetos, fez de 2008 um dos mais belos capítulos desta minha humilde existência. OBRIGADO, QUERIDOS LEITORES!

Um leitor me mandou este vídeo com O FAROL DO FIM DO MUNDO, quem leu O CICLISTA vai entender. video

O CICLISTA no jornal Voz do Planalto


A matéria é do jornalista Melício de Oliveira.

O CICLISTA e um sinal dos Céus


Papai Noel me deixou uma bicicleta - o difícil agora é convencer o gato a largá-la! Um sinal de que O CICLISTA continuará a fazer novos prêmios e leitores em 2009? Tomara! Assim seja! Om! Oxalá! Amém!

Monday, December 08, 2008

Sunday, November 30, 2008

"JAMES, PODE SERVIR O VINHO!"

Colegas como a Lya Luft não gostam de lançamentos. Pois enquanto houver um editor disposto a investir em minha obra, enquanto houver um Templo como a Livraria Cultura, enquanto houver amigos e vinho – eu estarei lá.

Ps. Quem foi embora cedo ficou sem foto e sem vinho.

Thursday, November 27, 2008

Não Sou JORGE Mas Sou AMADO


Alguns colegas me odeiam quando digo que escrever vale a pena. Mas, vejam senhores, recebi hoje de uma leitora, Henriette Effenberger, que mora em Bragança Paulista, uma caixa com três discos da divina Lady Day Billie Holiday. Como escreveu Maiakovisky (citado de memória): “Dizem que no Brasil há um homem feliz”.
Minha gratidão e meu afeto, minha linda!

Tuesday, November 25, 2008

Thursday, November 06, 2008

Extra! Extra! Fui Premiado em Portugal



Pois é, meus queridos, o vinho do Natal está garantido. Para saber mais.

Sunday, October 26, 2008

O Ciclista em Pixels!!!

Uma leitora, Maria Helena Yano, me mandou um vídeo com uma delicada cena de O CICLISTA – mas calma, gente! a cena é de muito bom gosto, até as avozinhas podem ver, ou eu não colocaria aqui. Obrigado, Maria Helena, seu gesto e a cena são pura Poesia! E ainda dizem que escrever não vale a pena...

Friday, October 03, 2008

Atendendo a pedidos, eis: PRIMEIRO CAPÍTULO de O CICLISTA





Para ler o Primeiro Capítulo clique aqui

Ps. OLHEM QUE LEITORA NOBRE EU TENHO! A foto foi enviada por Zuleide Santos. Obrigado, minha linda!

Sunday, September 28, 2008

O CICLISTA na Feira do Livro de Porto Alegre





Como o povo gaúcho é belo (por dentro e por fora) e generoso! Mas não é que o pessoal da Feira do Livro de Porto Alegre fez de tudo para me levar? E o melhor, ainda se lembram e mim quando de minha passagem em 2003 – quando fui receber o Prêmio Casa de Cultura Mário Quintana e lançar o romance premiado: “Um Certo Rumor de Asas”. Este ano, o estado homenageado pela Feira é Pernambuco. Daqui, de PE, sairá uma grande caravana; mas, apesar de ser o autor pernambucano mais premiado de minha geração e estar lançando o premiado romance O CICLISTA, aqui de PE ninguém me convidou. Ninguém se prontificou para liberar as passagens. Como sempre. Parafraseando o João Ubaldo Ribeiro, eu digo: “Pernambuco, terra querida, você me mata, mãe gentil!”

Jussara Rodrigues, Sandra La Porta, Sérgio Napp, Felipe - gauchada linda: minha gratidão e meu afeto!

Quem sabe a JORNADA LITERÁRIA DE PASSO FUNDO não me leva para falarmos de Concursos Literários, Novos Rumos da literatura e Geração 2000? Meu querido Santiago Nazarian falou muito bem de lá. Só pode, né? Em Passo Fundo lê-se tanto quanto em Paris.

Deixo foto da charmosa Livraria da Travessa, além das grandes lojas de Rede como Saraiva, Cultura, etc, O CICLISTA pode ser adquirido lá, também.

Thursday, September 25, 2008

O CICLISTA na Bienal de São Paulo



Meus queridos, só agora encontrei tempo para anexar a matéria oficial sobre o lançamaneto, também oficial, d´O CICLISTA. Ei-ta vida corrida.

Wednesday, September 24, 2008

O CICLISTA no Jornal O ESTADO DE MINAS


A matéria do jornalista Gustavo Fonseca poderia ter ficado melhor, mas não é uma honra ganhar uma página inteira, na edição de fim de semana, de um dos mais prestigiosos jornais do país?

O CICLISTA no Correio Brasiliense


Que menina danada, essa jornalista Nahima Maciel, do Correio Brasiliense! É ler pra crer.

Tuesday, September 23, 2008

O CICLISTA na rádio CBN RIO


Tirando minha voz horrível (90% das pessoas não gostam da própria voz gravada), deu tudo certo.

Para ouvir a linda voz da jornalista Simone Magno e minha voz horrível, clique aqui.

Saturday, September 20, 2008

Todo mundo está lendo O CICLISTA!/O CICLISTA por Ivana Arruda Leite


Parece truque, mas não é! Eis que acordo às 05hs da manhã deste sábado – hora sagrada reservada à leitura (no momento estou lendo CAIXA DE GUARDADOS, enviado pelo grande poeta gaúcho Sérgio Napp), e dou com o Victor Hugo (Hugolino para os mais chegados), já na metade de O CICLISTA.

Uma imagem vale mais que 1.000 palavras.

UMA ALEGRIA
Uma leitora me mandou o link para o site da Escritora, Crítica e grande persona IVANA ARRUDA LEITE: DOIDIVANAS, o que ela escreveu sobre meu romance é simplesmente Lindo. Obrigado Ivana! Ps. Não sou mineiro não, sou pernambucano.

Friday, September 19, 2008

O CICLISTA na rádio EL DORADO FM



Esta semana concedi uma longa entrevista à jornalista e também escritora Rosalyn
Senra - um encanto de gente – da rádio Eldorado FM, mas não deu tempo avisar aqui.
Assim que der, posto no youtube.

Como é bom ver que O CICLISTA – essa garrafa lançado no mar do mundo –
Está encontrando as pessoas certas!

Tuesday, September 16, 2008

EXTRA! EXTRA ! Meu DENTRO DA CHUVA AMARELA foi parar no Google preview


Fui premiado: a maior site de buscas do mundo resolveu disponibilizar capítulos do meu DENTRO DA CHUVA AMARELA. Aproveitem!/Enjoy it!

Monday, September 08, 2008

A Juventude está lendo O CICLISTA


Na chegada ao Carlton Hotel aconteceu uma coisa linda: alguém deixou na recepção, para mim, uma caixa das deliciosas trufas da marca Cacau Show. Seja você quem for: EU AMEI! Mas por que não se identificou? Ah! Talvez estivesse pensando em fazê-lo no lançamento ou palestra, certo? Mas quem poderia prever aquele desastre?

Meu Deus, o que foi aquilo? No lugar e hora marcados para o lançamento de O CICLISTA e bate-papo com o Flávio Izakhi, "O Café Literário", puseram uma banda com 5 velhinhos e um rapaz no vocal. Depois veio um lançamento coletivo que foi até 22 horas. Cheguei lá às 18 horas e fiquei até às 22, trouxe do hotel balde de gelo, uísque e dois copos, me plantei à porta do tal café e quem passou com O CICLISTA ganhou o autógrafo no meio da muvuca:

Pedro Couto, Roberto Klotz, Marcos, Mariana, Rose, a moça magrinha parecendo a Adriana Calcanhoto (esqueci seu nome, mas não a bela figura): MINHA GRATIDÃO E MEU AFETO!

Foi-me sugerido tirar os músicos do palco, mas gosto de velhinhos; aliás, gosto de gente!

Depois me foi sugerido tirar os argentinos (mais os brasileiros), 5 pessoas que deveriam subir ao palco às 20 e subiram às 21 (a banda dos velhinhos estava empolgada! Mas aquilo era Café Literário ou Boate?), daí não aceitei porque é menos doloroso sacrificar uma pessoa que cinco; depois, os argentinos eram nossos hóspedes, e como reza um ditado indiando, "o hóspede é Deus"; além do mais, não faria sentido subir ao palco sem o Flávio Izhaki.

Na crônica "Brasília", Clarice Lispector conclui: "Brasília é doida, mas funciona."

Funciona mais não, Clarice!
Só vi doidice!

Monday, September 01, 2008

ALô, BRASÍLIA! TÔ CHEGANDO





Como eu gostaria de tomar um uísque com o Vinícius!
Uma vodka com o Maiakovski;
Uma cachaça com o Guimarães Rosa;
Um café com Clarice Lispector;
Um chá com Cecília Meireles!
Estou indo a Brasília para tomar seja-lá-o-que-ele-goste
Com o jovem escritor Flávio Izhaki, e abraçar
Os brasilienses – porque partilhar o afeto é a única coisa que faz
Sentido nesta vida.

Saturday, August 23, 2008


OBRIGADO, SÃO PAULO!

O jovem executivo descendo a Paulista, a secretária de passo apressado, o Pitt - boy tatuado passeando com Pit-bull, a menina anoxécica e longilínea, de botas negras compridas – da sacada do hotel admirei todos os belos tipos de São Paulo.

E na Bienal mais beleza me esperava na pessoa da jornalista Mona Dorf (“ela era tão bela que diante dela as próprias cores ficavam pálidas”) e no público que apareceu para a palestra e autógrafos. Gente vindo de Bragança Paulista só para me ver. Uma menina de uns 14 anos me perguntou isto:

“O senhor disse que editoras fecham sim, no Brasil só o que não fecha são os motéis; então como fazer para que editoras abram e os motéis fechem?”

Mas é claro que não quero que os motéis fechem! É só construir um andar em cima do motel e pôr lá uma editora. Pronto.

Quem foi que disse que paulista/paulistano é frio? A vocês meu afeto e caloroso abraço nordestino.

Dia 6 de setembro estarei em Brasília, conversinha às 18:30hs e lançamento às 20.

Abaixo link para a matéria oficial:
http://www.bienaldolivrosp.com.br/2008/codigo/noticias_detalhe.asp?noticia_id=14246

Saturday, August 16, 2008

500 CONCORRENTES, 1 VENCEDOR




Jurados se reúnem para escolher o vencedor do Prêmio José Mindlin de Literatura.
Da esq. Para dir.: Maria Esther Maciel, Rejane Dias, José Mindlin, Antônio Torres,
Maria Amélia Mello e Cristina Antunes.

Prêmio José Mindlin de Literatura: R$ 10.000,00
Livro: R$ 27,00
Ter no currículo o nome do maior bibliófilo do país: NÃO TEM PREÇO!

Meus queridos, a premiação será dia 21, às 15hs, na Bienal de São Paulo. Se não por mim, apareçam pela figura linda do José Mindlin.

Fui a São Paulo para receber o Prêmio Xerox do Brasil e lançar a obra premiada na ocasião, a novela Ao Longo da Curva do Rio. Foi uma festa bonita, mas senti falta de calor humano. Encerrada a premiação e lançamento, não apareceu nem quem me desse uma carona para o hotel. E o cara aqui, vindo do mato, perdido naquela cidade imensa. Ainda bem que o Luiz Fernando Emediato, meu editor na Geração, apareceu, me levou para jantar e depois para o hotel, ou eu estaria perdido por lá até agora. Foi em 2001.

13 livros, 3 peças e 7 anos depois, estou ansioso para abraçar os paulistanos. E dessa vez encontrar um Happy End. Porque vendo tão bem, em SP!

Olha o link para reservar O CICLISTA:
http://www.autenticaeditora.com.br/usuario/carrinho/428

O CICLISTA - ORELHA



Eis o parecer da nobilíssima comissão julgadora formada por Antônio Torres. Maria Esther Maciel e Maria Amélia Mello. CLICK NA IMAGEM PARA LER. Às 18:18 de hoje, quando se inicia o período de lua cheia, postarei a capa e quarta capa e darei detalhes da premiação e lançamento na Bienal.

Wednesday, August 13, 2008

EXTRA! EXTRA! FUI PREMIADO EM LIMEIRA


O Sindicato dos Comerciários de Limeira, no peito e na raça, coordenam um simpático concurso de poesia. Como Limeira/SP fica muito distante de Vitória/PE, recebi o troféu pelos Correios.

Milhares de sindicatos e associações espalhados pelo país, e é no interior de São Paulo que vamos encontrar este belo estímulo à literatura.

Bravo, pessoal! E que vergonha para os outros sindicatos.

Saturday, May 17, 2008

EXTRA! EXTRA! FUI PREMIADO EM CUIABÁ


Meu conto A FLORESTA
Acaba de ser premiado pela
Livraria Adepthus.
Trata-se de um concurso simpático,
que premia R$ 1.000,00 em livros,
além de uma festinha que aconteceu
ontem à noite.

Livraria Adeptus
Fica em Cuiabá
Shopping 3 Américas - Avenida Brasília,
146 Jardim das Américas
Local: Térreo Loja 104-B
Livraria, cyber café, música e papelaria.
As delícias de uma boa leitura acompanhada
de diferenciais que só a Adeptos possui.

Alô pessoal de Cuiabá, dêem uma força para a livraria! Porque é a única que possui um concurso
Para valorizar os autores nacionais.
QUE VERGONHA para as outras...

Thursday, April 10, 2008

GANHEI O PRÊMIO JOSÉ MINDLIN DE LITERATURA! Abaixo, matéria oficial dos organizadores


Conheça o ganhador do Prêmio José Mindlin de Literatura
09/04/2008 - Assessoria de Comunicação

Depois de quase cinco meses de espera, chegou a hora de o Brasil conhecer o ganhador da primeira edição do Prêmio José Mindlin de Literatura. Promovido pela Autêntica, em Belo Horizonte, o concurso recebeu cerca de 500 originais, inclusive de brasileiros que moram fora do País. Com adesão dos quatros cantos do Brasil, foi do interior de Pernambuco, de uma cidade chamada Vitória Santo Antão, a obra selecionada. Advogado por formação, Walther Moreira Santos é o ganhador do concurso apadrihado pelo bibliófilo José Mindlin e marco dos 10 anos de existência da Autêntica Editora, que passa agora a investir em obras de ficção. Em grande estilo, O ciclista, como é chamada a obra vencedora, será lançada pela Autêntica Editora na Bienal do Livro de São Paulo, na segunda quinzena de agosto, quando passará a ser distribuída em todo o território nacional.

A comissão julgadora do concurso foi composta pela editora e escritora Maria Amélia Mello, pela professora e escritora Maria Esther Maciel e pelo escritor Antônio Torres. Dedicados à avaliação das centenas de obras que receberam, o júri reuniu-se no dia 4 de abril para, juntos, na presença da diretora executiva da Autêntica Editora, Rejane Dias, da curadora da Biblioteca de Guita e José Mindlin,Cristina Antunes e do patrono da premiação, José Mindlin, escolherem o vencedor. De acordo com eles, como pode ser conferido na ata oficial abaixo reproduzida, a obra premiada se destacou das demais por “apresentar uma narrativa original, instigante e literariamente bem construída”.

Walther Moreira Santos é dramaturgo e ficcionista, vencedor de diversos prêmios literários e autor de 10 obras nos gêneros memória, teatro, romance e infantil. De acordo com ele, O ciclista “é uma história sobre perdão, apego e perda, que mescla sexualidade, budismo e psicanálise”. Ele conta que geralmente leva uns seis meses escrevendo um romance, mas considera O ciclista uma obra demorada, “construída palavra a palavra ao longo de quatro anos’.

Aos outros participantes e aos vários escritores ou aspirantes que nos procuraram para saber sobre a segunda edição do Prêmio, vale dizer que pretendemos promovê-lo de dois em dois anos. Agora é esperar para ver, ou melhor para ler a obra que marca essa primeira edição desse Prêmio tão bem-recebido pelo meio literário. No decorrer deste mês vamos falar mais sobre a obra selecionada, o ganhador e a premiação. Continue acompanhando as novidades aqui no site da Autêntica Editora.

Conheça a Comissão Julgadora
Antônio Torres
Maria Esther Maciel
Maria Amélia Mello

Ata
O Ciclista, original inscrito sob nº 123, com o pseudônimo de Cassiel Arcanjo, foi o vencedor do 1º Prêmio José Mindlin de Literatura, promovido pela Autêntica Editora, em comemoração aos seus 10 anos de atividades.O júri, composto pela editora e escritora Maria Amélia Mello, pela professora e escritora Maria Esther Maciel e pelo escritor Antônio Torres, reuniu-se na Biblioteca de Guita e José Mindlin, em 4 de abril de 2008, com as presenças da diretora executiva da Autêntica Editora, Rejane Dias, da curadora da Biblioteca, Cristina Antunes, e do patrono da premiação.

Na avaliação da comissão julgadora, a obra premiada se destacou das demais concorrentes por apresentar uma narrativa original, instigante e literariamente bem construída. O autor demonstra maturidade literária e domínio do ofício. A leitura deste original manteve vivo o interesse do júri do começo ao fim e certamente manterá o do leitor.

São Paulo, 4 de abril de 2008

Monday, March 17, 2008

EXTRA! EXTRA! FUI PREMADO NO RIO GRANDE

Galera, sejam os primeiros a saberem: meu "poema campesino" foi premiado Pela Brigada MIlitar do Rio Grande. Para quem quiser conhecer todos os vencedores (parabéns!), eis o link:
http://www.fundacaobm.org.br/conc-lit.htm

Friday, January 11, 2008

PUBLICADOS NA REVISTA CONTINENTE MULTICULTURAL



UM BLUES

Se amaram durante cinco meses. “Tudo bem. Cinco é um pentagrama, um número mágico, símbolo do homem, o microcosmo”, consolou-se um, que era místico, magro, e artista plástico. O outro, estudante de medicina, tímido e prático, pouco falava. O primeiro chegou a expor no estrangeiro, mas acabou se matando. (O valor dos seus quadros vem subindo.) Se mataria, de qualquer forma, aquela história: cigarros demais, álcool demais, e ansiolíticos de menos. O outro (calou-se de vez): formatura, cidade do interior, consultório, casamento, um filho; que no final do dia costuma abraçar com uma ternura imensa.

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ÚLTIMA LENDA

Eu era apenas um velho baú onde ela depositava estrelas, planetas, galáxias. Ambiciosa que era jamais prestou atenção em mim: velho baú de carvalho.
Eu possuía o universo. Ela, não.

Wednesday, January 02, 2008

PUBLICADO NA REVISTA CONTINENTE MULTICULTURAL


DURANTE A QUEDA

Durante a queda esqueci o porquê de haver pulado do trigésimo quinto andar do edifício da Previdência Social. Eu estava desempregado? Estava. Contudo, há milhões de desempregados pelo país a fora, mas só eu estava caindo. Falhara em conquistar o amor de Hilda? Falhara. Há milhões de malsucedidos no amor, mas só eu caía. Por mais que se esforçasse não conseguia me lembrar, por que eu pulara.
Apelei para os Céus: Por queeeeeeeeeeeeeeeeeeeeê?
E a queda transformou meu apelo num horrendo grito.
A pergunta e a angústia, portanto, continuavam, como eu, no ar.
Por muito pouco. Porque o tempo nos impõe mais limites que o desespero, a falta de dinheiro ou o desejo. E na queda, como na vida, o tempo se esgota antes da resposta.

contato com a revista: continente@continentemulticultural.com.br

PUBLICADO NA REVISTA CONTINENTE MULTICULTURAL


BALÕES

Ao me levar ao parque meu pai não comprava balões – e eu hipnotizado pelo vermelho-vivo, o amarelo, o azul esticado nas bexigas flutuantes. No fim, voltava arrastando minha frustração; custava tão pouco, a felicidade.
Hoje sei. Com aquele gesto rude, meu pai visava me guardar da fragilidade das esferas. Adiar meu choro. Meu pai não queria que eu descobrisse, tão cedo, a finitude de tudo.

PUBLICADO NA REVISTA CONTINENTE MULTICULTURAL

AMANHÃ, TALVEZ

Quando o escritor morrer publicaremos meia dúzia de biografias. Em uma delas irá constar que o escritor era ateu; na outra que era homossexual; em uma outra que fumava haxixe, violentava meninas, era comunista, torcia pelo Náutico, colecionava pêlos púbicos, e por aí afora. Quando o escritor morrer, criaremos em sua memória um prêmio de cobiçados 440 mil; batizaremos ruas com seu nome e o Patrimônio Histórico tombará sua antiga e modesta morada. Reeditaremos todos os seus livros. E descobriremos quatro obras inéditas. No primário, alunos decorarão seus versos; no colegial, a contragosto lerão seus livros. Quando o escritor morrer, seu nome constará em todos os exames vestibulares. O troféu que em vida negamos, agora lhe dedicaremos – in memoriam. A platéia se levantará e depois dos aplausos observará um minuto de silêncio. Quando o escritor morrer, tudo isto e muito mais faremos.

PUBLICADO NA REVISTA CONTINENTE MULTICULTURAL




AMOR (ROBERTO, O RATO)

Ei, aqui embaixo!
É isso mesmo; sou eu, Roberto, o Rato. Rattus norvegicus, para ser preciso. Ratazana de esgoto, no popular. “Roberto” é culpa de Zilda, a louca. E, por sua vez, o nome dela é culpa da pequena cidade, que a apelidou assim. Meu Deus! Uma senhora de 89 anos! “A doida do rato”, é o que dizem. Não, não existe respeito. Mas as pessoas são assim mesmo: 99 por cento delas não valem nada – e o outro um por cento não se encontra. 99 por cento delas não produzem nada mais que fezes e lixo. (E merda das mais fedorentas – lixo atômico-apocalíptico da pior espécie.) Zilda, pelo menos, escreve poemas – uns poemas bestas, vá lá – e me alimenta. Fica jogando seu arroz branco na borda do bueiro em frente a sua casa velha. Gosta de me ver, me ama, e é odiada. As pessoas não gostam de velhos – quase tanto quanto não gostam de ratos. Meninos lhe atiram pedras, senhoras mudam de calçada. O malcheiro de Zilda, alegam. Ninguém quer saber da água que lhe cortaram, ou do sacrifício que faz para sobreviver com a aposentadoria. Um rato não viveria melhor. Ninguém se pergunta o porquê da casa caindo aos pedaços, ninguém mesmo. Nem os filhos (uns oito, a julgar pelas fotos espalhadas). É... as pessoas são o que são. Eu fico olhando o cinza desbotado da solidão de Zilda e concluo que a humanidade não presta. Dá vontade de vomitar – mas ratos não vomitam, embora se enojem. Então vamos ao arroz grudento.

Tuesday, January 01, 2008

UM 2008 DE VENTURA!



Ilustração, de minha autoria (sim, meus queridos, às vezes rabisco!) de meu próximo infantil (editora e título, por enquanto, são segredos).