Tuesday, November 17, 2009

O COLECIONADOR NA REVISTA NOVA ESCOLA


Quando a mais conceituada revista de educação no país faz uma resenha do seu livro, que mais pode você fazer senão mostrar para todo mundo?

Tuesday, August 25, 2009

Lançamento de O COLECIONADOR DE MANHÃS Estou nas nuvens, gente!


Será hoje, dia 25 de agosto, na Livraria Cultura, a partir das 19 horas –
Não me deixem só, meus amigos!

"Vencedor do Prêmio Luis Jardim de Literatura e destaque em mais três premiações no Brasil e em Portugal; este livro é destinado a leitores dos 8 aos 80 anos e fala do afeto, esse sentimento delicado como pássaro com asa quebrada. São duas histórias sobre a relação avô e neto, pai e filho, com a poesia e a criatividade que já consagraram o autor como um dos grandes nomes da prosa moderna." publicado no site vetorcultural.com

Wednesday, July 29, 2009

Prêmio São Paulo de Literatura - O Encontro


Meu coração tem memória, São Paulo, e nunca vai esquecer. No MP4 a Nona Sinfonia de Beethoven – o que mais combinaria com a grandiosidade dessa cidade?

Wednesday, July 08, 2009

O CICLISTA no Youtube II

Veja no youtube ou abaixo.

O CICLISTA no Youtube

A brilhante fotógrafa e leitora Pamela Facco foi até a Cordilheira dos Andes e me mandou as fotos - obrigado, Pamela! Quem leu O CICLISTA vai entender. video

Sunday, May 31, 2009

O CICLISTA no PRÊMIO SÃO PAULO DE LITERATURA


O CICLISTA é um dos 10 melhores livros do ano. Os indicados, por ordem alfabética, são:

Melhor romance de 2008

Carola Saavedra – Flores Azuis – Companhia das Letras
João Gilberto Noil – Acenos e afagos – Record
José Saramago – A viagem do elefante – Companhia das Letras
Livia Garcia-Roza – Milamor – Record
Maria Esther Maciel – O livro dos nomes – Companhia das Letras
Milton Hatoum – Órfãos do Eldorado – Companhia das Letras
Moacyr Scliar – Manual da Paixão solitária – Companhia das Letras
Ronaldo Correia de Brito – Galiléia – Objetiva
Silviano Santiago – Heranças – Rocco
Walther Moreira Santos – O ciclista – Autêntica Editora

Talvez por isto, a cada dia mais e mais pessoas estão lendo O CICLISTA. Obrigado, meus queridos.

Monday, March 02, 2009

O CICLISTA no programa LEITURAS/TV SENADO


Vocês vão me ver fanho devido à gripe, com uma sinusite desgraçada, mesmo assim o Maurício Jr. foi tão generoso na condução da conversa que deu quase tudo certo. Mas me creditaram como Walther “Moura” – credo! – leia-se pois Walther Moreira-Santos.

Sunday, March 01, 2009

O CICLISTA e as gratas surpresas!


É tão bom ver que o livro - esta garrafa lançada no mar do mundo - às vezes nos traz gratas surpresas, como esta menina linda e talentosa. Cliquem aqui - vale muito a pena!

Saturday, February 28, 2009

O CICLISTA no SABER +


O ousado e premiado experimento do jornalista e escritor Raimundo Carrero, o Saber +, me solicitou um conto e uma entrevista – que honra! Deixo aqui trecho da entrevista por Mariza Pontes. O conto “Um Nostradamus em cada esquina”, vocês lerão no meu próximo livro.

É tão bom sentir orgulho de gente da terra!

Friday, December 26, 2008

Por que tanta gente está lendo O CICLISTA?




Eu não sei; só sei que a premiação e a publicação dessa historia que começa na Patagônia argentina e fala de afetos, fez de 2008 um dos mais belos capítulos desta minha humilde existência. OBRIGADO, QUERIDOS LEITORES!

Um leitor me mandou este vídeo com O FAROL DO FIM DO MUNDO, quem leu O CICLISTA vai entender. video

O CICLISTA no jornal Voz do Planalto


A matéria é do jornalista Melício de Oliveira.

O CICLISTA e um sinal dos Céus


Papai Noel me deixou uma bicicleta - o difícil agora é convencer o gato a largá-la! Um sinal de que O CICLISTA continuará a fazer novos prêmios e leitores em 2009? Tomara! Assim seja! Om! Oxalá! Amém!

Monday, December 08, 2008

O CICLISTA no Jornal do Comércio

Sunday, November 30, 2008

"JAMES, PODE SERVIR O VINHO!"

Colegas como a Lya Luft não gostam de lançamentos. Pois enquanto houver um editor disposto a investir em minha obra, enquanto houver um Templo como a Livraria Cultura, enquanto houver amigos e vinho – eu estarei lá.

Ps. Quem foi embora cedo ficou sem foto e sem vinho.

Thursday, November 27, 2008

Não Sou JORGE Mas Sou AMADO


Alguns colegas me odeiam quando digo que escrever vale a pena. Mas, vejam senhores, recebi hoje de uma leitora, Henriette Effenberger, que mora em Bragança Paulista, uma caixa com três discos da divina Lady Day Billie Holiday. Como escreveu Maiakovisky (citado de memória): “Dizem que no Brasil há um homem feliz”.
Minha gratidão e meu afeto, minha linda!

Tuesday, November 25, 2008

O leitor mais GATO do mundo e RESENHAS nos MELHORES JORNAIS do país


É só conferir...

Saturday, November 08, 2008

O CICLISTA no jornal RASCUNHO/PR

E daí que sou um autor condenado ao silêncio em minha terra, quando O prestigioso jornal de literatura O RASCUNHO escreve algo deste calibre?


“O ciclista é obra de autor amadurecido, que simplesmente se nega a falar de um cotidiano comum, marcado por violência explícita e já banalizada. A pressão por que passa seus personagens vem da interiorização de ambições e desapegos. Daí o individualismo, daí o conflito, daí a indiferença.
Rico no aproveitamento lingüístico, tenso no caminhar de seu enredo e inventivo na forma narrativa, onde os narradores - sem conflitos - se sucedem, O ciclista mostra o fôlego de nossos narradores e até desvenda o caminho.” Clique e leia a matéria toda - vale a pena.

Thursday, November 06, 2008

Extra! Extra! Fui Premiado em Portugal



Pois é, meus queridos, o vinho do Natal está garantido. Para saber mais.

Sunday, October 26, 2008

O Ciclista em Pixels!!!

Uma leitora, Maria Helena Yano, me mandou um vídeo com uma delicada cena de O CICLISTA – mas calma, gente! a cena é de muito bom gosto, até as avozinhas podem ver, ou eu não colocaria aqui. Obrigado, Maria Helena, seu gesto e a cena são pura Poesia! E ainda dizem que escrever não vale a pena...

Friday, October 03, 2008

Atendendo a pedidos, eis: PRIMEIRO CAPÍTULO de O CICLISTA





Para ler o Primeiro Capítulo clique aqui

Ps. OLHEM QUE LEITORA NOBRE EU TENHO! A foto foi enviada por Zuleide Santos. Obrigado, minha linda!

Sunday, September 28, 2008

O CICLISTA na Feira do Livro de Porto Alegre





Como o povo gaúcho é belo (por dentro e por fora) e generoso! Mas não é que o pessoal da Feira do Livro de Porto Alegre fez de tudo para me levar? E o melhor, ainda se lembram e mim quando de minha passagem em 2003 – quando fui receber o Prêmio Casa de Cultura Mário Quintana e lançar o romance premiado: “Um Certo Rumor de Asas”. Este ano, o estado homenageado pela Feira é Pernambuco. Daqui, de PE, sairá uma grande caravana; mas, apesar de ser o autor pernambucano mais premiado de minha geração e estar lançando o premiado romance O CICLISTA, aqui de PE ninguém me convidou. Ninguém se prontificou para liberar as passagens. Como sempre. Parafraseando o João Ubaldo Ribeiro, eu digo: “Pernambuco, terra querida, você me mata, mãe gentil!”

Jussara Rodrigues, Sandra La Porta, Sérgio Napp, Felipe - gauchada linda: minha gratidão e meu afeto!

Quem sabe a JORNADA LITERÁRIA DE PASSO FUNDO não me leva para falarmos de Concursos Literários, Novos Rumos da literatura e Geração 2000? Meu querido Santiago Nazarian falou muito bem de lá. Só pode, né? Em Passo Fundo lê-se tanto quanto em Paris.

Deixo foto da charmosa Livraria da Travessa, além das grandes lojas de Rede como Saraiva, Cultura, etc, O CICLISTA pode ser adquirido lá, também.

Thursday, September 25, 2008

O CICLISTA na Bienal de São Paulo



Meus queridos, só agora encontrei tempo para anexar a matéria oficial sobre o lançamaneto, também oficial, d´O CICLISTA. Ei-ta vida corrida.

Wednesday, September 24, 2008

O CICLISTA no Jornal O ESTADO DE MINAS


A matéria do jornalista Gustavo Fonseca poderia ter ficado melhor, mas não é uma honra ganhar uma página inteira, na edição de fim de semana, de um dos mais prestigiosos jornais do país?

O CICLISTA no Correio Brasiliense


Que menina danada, essa jornalista Nahima Maciel, do Correio Brasiliense! É ler pra crer.

Tuesday, September 23, 2008

O CICLISTA na rádio CBN RIO


Tirando minha voz horrível (90% das pessoas não gostam da própria voz gravada), deu tudo certo.

Para ouvir a linda voz da jornalista Simone Magno e minha voz horrível, clique aqui.

Saturday, September 20, 2008

Todo mundo está lendo O CICLISTA!/O CICLISTA por Ivana Arruda Leite


Parece truque, mas não é! Eis que acordo às 05hs da manhã deste sábado – hora sagrada reservada à leitura (no momento estou lendo CAIXA DE GUARDADOS, enviado pelo grande poeta gaúcho Sérgio Napp), e dou com o Victor Hugo (Hugolino para os mais chegados), já na metade de O CICLISTA.

Uma imagem vale mais que 1.000 palavras.

UMA ALEGRIA
Uma leitora me mandou o link para o site da Escritora, Crítica e grande persona IVANA ARRUDA LEITE: DOIDIVANAS, o que ela escreveu sobre meu romance é simplesmente Lindo. Obrigado Ivana! Ps. Não sou mineiro não, sou pernambucano.

Friday, September 19, 2008

O CICLISTA na rádio EL DORADO FM



Esta semana concedi uma longa entrevista à jornalista e também escritora Rosalyn
Senra - um encanto de gente – da rádio Eldorado FM, mas não deu tempo avisar aqui.
Assim que der, posto no youtube.

Como é bom ver que O CICLISTA – essa garrafa lançado no mar do mundo –
Está encontrando as pessoas certas!

Tuesday, September 16, 2008

EXTRA! EXTRA ! Meu DENTRO DA CHUVA AMARELA foi parar no Google preview


Fui premiado: a maior site de buscas do mundo resolveu disponibilizar capítulos do meu DENTRO DA CHUVA AMARELA. Aproveitem!/Enjoy it!

Monday, September 08, 2008

A Juventude está lendo O CICLISTA


Na chegada ao Carlton Hotel aconteceu uma coisa linda: alguém deixou na recepção, para mim, uma caixa das deliciosas trufas da marca Cacau Show. Seja você quem for: EU AMEI! Mas por que não se identificou? Ah! Talvez estivesse pensando em fazê-lo no lançamento ou palestra, certo? Mas quem poderia prever aquele desastre?

Meu Deus, o que foi aquilo? No lugar e hora marcados para o lançamento de O CICLISTA e bate-papo com o Flávio Izakhi, "O Café Literário", puseram uma banda com 5 velhinhos e um rapaz no vocal. Depois veio um lançamento coletivo que foi até 22 horas. Cheguei lá às 18 horas e fiquei até às 22, trouxe do hotel balde de gelo, uísque e dois copos, me plantei à porta do tal café e quem passou com O CICLISTA ganhou o autógrafo no meio da muvuca:

Pedro Couto, Roberto Klotz, Marcos, Mariana, Rose, a moça magrinha parecendo a Adriana Calcanhoto (esqueci seu nome, mas não a bela figura): MINHA GRATIDÃO E MEU AFETO!

Foi-me sugerido tirar os músicos do palco, mas gosto de velhinhos; aliás, gosto de gente!

Depois me foi sugerido tirar os argentinos (mais os brasileiros), 5 pessoas que deveriam subir ao palco às 20 e subiram às 21 (a banda dos velhinhos estava empolgada! Mas aquilo era Café Literário ou Boate?), daí não aceitei porque é menos doloroso sacrificar uma pessoa que cinco; depois, os argentinos eram nossos hóspedes, e como reza um ditado indiando, "o hóspede é Deus"; além do mais, não faria sentido subir ao palco sem o Flávio Izhaki.

Na crônica "Brasília", Clarice Lispector conclui: "Brasília é doida, mas funciona."

Funciona mais não, Clarice!
Só vi doidice!

Monday, September 01, 2008

ALô, BRASÍLIA! TÔ CHEGANDO





Como eu gostaria de tomar um uísque com o Vinícius!
Uma vodka com o Maiakovski;
Uma cachaça com o Guimarães Rosa;
Um café com Clarice Lispector;
Um chá com Cecília Meireles!
Estou indo a Brasília para tomar seja-lá-o-que-ele-goste
Com o jovem escritor Flávio Izhaki, e abraçar
Os brasilienses – porque partilhar o afeto é a única coisa que faz
Sentido nesta vida.

Saturday, August 23, 2008


OBRIGADO, SÃO PAULO!

O jovem executivo descendo a Paulista, a secretária de passo apressado, o Pitt - boy tatuado passeando com Pit-bull, a menina anoxécica e longilínea, de botas negras compridas – da sacada do hotel admirei todos os belos tipos de São Paulo.

E na Bienal mais beleza me esperava na pessoa da jornalista Mona Dorf (“ela era tão bela que diante dela as próprias cores ficavam pálidas”) e no público que apareceu para a palestra e autógrafos. Gente vindo de Bragança Paulista só para me ver. Uma menina de uns 14 anos me perguntou isto:

“O senhor disse que editoras fecham sim, no Brasil só o que não fecha são os motéis; então como fazer para que editoras abram e os motéis fechem?”

Mas é claro que não quero que os motéis fechem! É só construir um andar em cima do motel e pôr lá uma editora. Pronto.

Quem foi que disse que paulista/paulistano é frio? A vocês meu afeto e caloroso abraço nordestino.

Dia 6 de setembro estarei em Brasília, conversinha às 18:30hs e lançamento às 20.

Abaixo link para a matéria oficial:
http://www.bienaldolivrosp.com.br/2008/codigo/noticias_detalhe.asp?noticia_id=14246

Saturday, August 16, 2008

500 CONCORRENTES, 1 VENCEDOR




Jurados se reúnem para escolher o vencedor do Prêmio José Mindlin de Literatura.
Da esq. Para dir.: Maria Esther Maciel, Rejane Dias, José Mindlin, Antônio Torres,
Maria Amélia Mello e Cristina Antunes.

Prêmio José Mindlin de Literatura: R$ 10.000,00
Livro: R$ 27,00
Ter no currículo o nome do maior bibliófilo do país: NÃO TEM PREÇO!

Meus queridos, a premiação será dia 21, às 15hs, na Bienal de São Paulo. Se não por mim, apareçam pela figura linda do José Mindlin.

Fui a São Paulo para receber o Prêmio Xerox do Brasil e lançar a obra premiada na ocasião, a novela Ao Longo da Curva do Rio. Foi uma festa bonita, mas senti falta de calor humano. Encerrada a premiação e lançamento, não apareceu nem quem me desse uma carona para o hotel. E o cara aqui, vindo do mato, perdido naquela cidade imensa. Ainda bem que o Luiz Fernando Emediato, meu editor na Geração, apareceu, me levou para jantar e depois para o hotel, ou eu estaria perdido por lá até agora. Foi em 2001.

13 livros, 3 peças e 7 anos depois, estou ansioso para abraçar os paulistanos. E dessa vez encontrar um Happy End. Porque vendo tão bem, em SP!

Olha o link para reservar O CICLISTA:
http://www.autenticaeditora.com.br/usuario/carrinho/428

O CICLISTA - ORELHA



Eis o parecer da nobilíssima comissão julgadora formada por Antônio Torres. Maria Esther Maciel e Maria Amélia Mello. CLICK NA IMAGEM PARA LER. Às 18:18 de hoje, quando se inicia o período de lua cheia, postarei a capa e quarta capa e darei detalhes da premiação e lançamento na Bienal.

Wednesday, August 13, 2008

EXTRA! EXTRA! FUI PREMIADO EM LIMEIRA


O Sindicato dos Comerciários de Limeira, no peito e na raça, coordenam um simpático concurso de poesia. Como Limeira/SP fica muito distante de Vitória/PE, recebi o troféu pelos Correios.

Milhares de sindicatos e associações espalhados pelo país, e é no interior de São Paulo que vamos encontrar este belo estímulo à literatura.

Bravo, pessoal! E que vergonha para os outros sindicatos.

Saturday, May 17, 2008

EXTRA! EXTRA! FUI PREMIADO EM CUIABÁ


Meu conto A FLORESTA
Acaba de ser premiado pela
Livraria Adepthus.
Trata-se de um concurso simpático,
que premia R$ 1.000,00 em livros,
além de uma festinha que aconteceu
ontem à noite.

Livraria Adeptus
Fica em Cuiabá
Shopping 3 Américas - Avenida Brasília,
146 Jardim das Américas
Local: Térreo Loja 104-B
Livraria, cyber café, música e papelaria.
As delícias de uma boa leitura acompanhada
de diferenciais que só a Adeptos possui.

Alô pessoal de Cuiabá, dêem uma força para a livraria! Porque é a única que possui um concurso
Para valorizar os autores nacionais.
QUE VERGONHA para as outras...

Thursday, April 10, 2008

GANHEI O PRÊMIO JOSÉ MINDLIN DE LITERATURA! Abaixo, matéria oficial dos organizadores


Conheça o ganhador do Prêmio José Mindlin de Literatura
09/04/2008 - Assessoria de Comunicação

Depois de quase cinco meses de espera, chegou a hora de o Brasil conhecer o ganhador da primeira edição do Prêmio José Mindlin de Literatura. Promovido pela Autêntica, em Belo Horizonte, o concurso recebeu cerca de 500 originais, inclusive de brasileiros que moram fora do País. Com adesão dos quatros cantos do Brasil, foi do interior de Pernambuco, de uma cidade chamada Vitória Santo Antão, a obra selecionada. Advogado por formação, Walther Moreira Santos é o ganhador do concurso apadrihado pelo bibliófilo José Mindlin e marco dos 10 anos de existência da Autêntica Editora, que passa agora a investir em obras de ficção. Em grande estilo, O ciclista, como é chamada a obra vencedora, será lançada pela Autêntica Editora na Bienal do Livro de São Paulo, na segunda quinzena de agosto, quando passará a ser distribuída em todo o território nacional.

A comissão julgadora do concurso foi composta pela editora e escritora Maria Amélia Mello, pela professora e escritora Maria Esther Maciel e pelo escritor Antônio Torres. Dedicados à avaliação das centenas de obras que receberam, o júri reuniu-se no dia 4 de abril para, juntos, na presença da diretora executiva da Autêntica Editora, Rejane Dias, da curadora da Biblioteca de Guita e José Mindlin,Cristina Antunes e do patrono da premiação, José Mindlin, escolherem o vencedor. De acordo com eles, como pode ser conferido na ata oficial abaixo reproduzida, a obra premiada se destacou das demais por “apresentar uma narrativa original, instigante e literariamente bem construída”.

Walther Moreira Santos é dramaturgo e ficcionista, vencedor de diversos prêmios literários e autor de 10 obras nos gêneros memória, teatro, romance e infantil. De acordo com ele, O ciclista “é uma história sobre perdão, apego e perda, que mescla sexualidade, budismo e psicanálise”. Ele conta que geralmente leva uns seis meses escrevendo um romance, mas considera O ciclista uma obra demorada, “construída palavra a palavra ao longo de quatro anos’.

Aos outros participantes e aos vários escritores ou aspirantes que nos procuraram para saber sobre a segunda edição do Prêmio, vale dizer que pretendemos promovê-lo de dois em dois anos. Agora é esperar para ver, ou melhor para ler a obra que marca essa primeira edição desse Prêmio tão bem-recebido pelo meio literário. No decorrer deste mês vamos falar mais sobre a obra selecionada, o ganhador e a premiação. Continue acompanhando as novidades aqui no site da Autêntica Editora.

Conheça a Comissão Julgadora
Antônio Torres
Maria Esther Maciel
Maria Amélia Mello

Ata
O Ciclista, original inscrito sob nº 123, com o pseudônimo de Cassiel Arcanjo, foi o vencedor do 1º Prêmio José Mindlin de Literatura, promovido pela Autêntica Editora, em comemoração aos seus 10 anos de atividades.O júri, composto pela editora e escritora Maria Amélia Mello, pela professora e escritora Maria Esther Maciel e pelo escritor Antônio Torres, reuniu-se na Biblioteca de Guita e José Mindlin, em 4 de abril de 2008, com as presenças da diretora executiva da Autêntica Editora, Rejane Dias, da curadora da Biblioteca, Cristina Antunes, e do patrono da premiação.

Na avaliação da comissão julgadora, a obra premiada se destacou das demais concorrentes por apresentar uma narrativa original, instigante e literariamente bem construída. O autor demonstra maturidade literária e domínio do ofício. A leitura deste original manteve vivo o interesse do júri do começo ao fim e certamente manterá o do leitor.

São Paulo, 4 de abril de 2008

Monday, March 17, 2008

EXTRA! EXTRA! FUI PREMADO NO RIO GRANDE

Galera, sejam os primeiros a saberem: meu "poema campesino" foi premiado Pela Brigada MIlitar do Rio Grande. Para quem quiser conhecer todos os vencedores (parabéns!), eis o link:
http://www.fundacaobm.org.br/conc-lit.htm

Friday, January 11, 2008

PUBLICADOS NA REVISTA CONTINENTE MULTICULTURAL



UM BLUES

Se amaram durante cinco meses. “Tudo bem. Cinco é um pentagrama, um número mágico, símbolo do homem, o microcosmo”, consolou-se um, que era místico, magro, e artista plástico. O outro, estudante de medicina, tímido e prático, pouco falava. O primeiro chegou a expor no estrangeiro, mas acabou se matando. (O valor dos seus quadros vem subindo.) Se mataria, de qualquer forma, aquela história: cigarros demais, álcool demais, e ansiolíticos de menos. O outro (calou-se de vez): formatura, cidade do interior, consultório, casamento, um filho; que no final do dia costuma abraçar com uma ternura imensa.

********

ÚLTIMA LENDA

Eu era apenas um velho baú onde ela depositava estrelas, planetas, galáxias. Ambiciosa que era jamais prestou atenção em mim: velho baú de carvalho.
Eu possuía o universo. Ela, não.

Wednesday, January 02, 2008

PUBLICADO NA REVISTA CONTINENTE MULTICULTURAL


DURANTE A QUEDA

Durante a queda esqueci o porquê de haver pulado do trigésimo quinto andar do edifício da Previdência Social. Eu estava desempregado? Estava. Contudo, há milhões de desempregados pelo país a fora, mas só eu estava caindo. Falhara em conquistar o amor de Hilda? Falhara. Há milhões de malsucedidos no amor, mas só eu caía. Por mais que se esforçasse não conseguia me lembrar, por que eu pulara.
Apelei para os Céus: Por queeeeeeeeeeeeeeeeeeeeê?
E a queda transformou meu apelo num horrendo grito.
A pergunta e a angústia, portanto, continuavam, como eu, no ar.
Por muito pouco. Porque o tempo nos impõe mais limites que o desespero, a falta de dinheiro ou o desejo. E na queda, como na vida, o tempo se esgota antes da resposta.

contato com a revista: continente@continentemulticultural.com.br

PUBLICADO NA REVISTA CONTINENTE MULTICULTURAL


BALÕES

Ao me levar ao parque meu pai não comprava balões – e eu hipnotizado pelo vermelho-vivo, o amarelo, o azul esticado nas bexigas flutuantes. No fim, voltava arrastando minha frustração; custava tão pouco, a felicidade.
Hoje sei. Com aquele gesto rude, meu pai visava me guardar da fragilidade das esferas. Adiar meu choro. Meu pai não queria que eu descobrisse, tão cedo, a finitude de tudo.

PUBLICADO NA REVISTA CONTINENTE MULTICULTURAL

AMANHÃ, TALVEZ

Quando o escritor morrer publicaremos meia dúzia de biografias. Em uma delas irá constar que o escritor era ateu; na outra que era homossexual; em uma outra que fumava haxixe, violentava meninas, era comunista, torcia pelo Náutico, colecionava pêlos púbicos, e por aí afora. Quando o escritor morrer, criaremos em sua memória um prêmio de cobiçados 440 mil; batizaremos ruas com seu nome e o Patrimônio Histórico tombará sua antiga e modesta morada. Reeditaremos todos os seus livros. E descobriremos quatro obras inéditas. No primário, alunos decorarão seus versos; no colegial, a contragosto lerão seus livros. Quando o escritor morrer, seu nome constará em todos os exames vestibulares. O troféu que em vida negamos, agora lhe dedicaremos – in memoriam. A platéia se levantará e depois dos aplausos observará um minuto de silêncio. Quando o escritor morrer, tudo isto e muito mais faremos.

PUBLICADO NA REVISTA CONTINENTE MULTICULTURAL




AMOR (ROBERTO, O RATO)

Ei, aqui embaixo!
É isso mesmo; sou eu, Roberto, o Rato. Rattus norvegicus, para ser preciso. Ratazana de esgoto, no popular. “Roberto” é culpa de Zilda, a louca. E, por sua vez, o nome dela é culpa da pequena cidade, que a apelidou assim. Meu Deus! Uma senhora de 89 anos! “A doida do rato”, é o que dizem. Não, não existe respeito. Mas as pessoas são assim mesmo: 99 por cento delas não valem nada – e o outro um por cento não se encontra. 99 por cento delas não produzem nada mais que fezes e lixo. (E merda das mais fedorentas – lixo atômico-apocalíptico da pior espécie.) Zilda, pelo menos, escreve poemas – uns poemas bestas, vá lá – e me alimenta. Fica jogando seu arroz branco na borda do bueiro em frente a sua casa velha. Gosta de me ver, me ama, e é odiada. As pessoas não gostam de velhos – quase tanto quanto não gostam de ratos. Meninos lhe atiram pedras, senhoras mudam de calçada. O malcheiro de Zilda, alegam. Ninguém quer saber da água que lhe cortaram, ou do sacrifício que faz para sobreviver com a aposentadoria. Um rato não viveria melhor. Ninguém se pergunta o porquê da casa caindo aos pedaços, ninguém mesmo. Nem os filhos (uns oito, a julgar pelas fotos espalhadas). É... as pessoas são o que são. Eu fico olhando o cinza desbotado da solidão de Zilda e concluo que a humanidade não presta. Dá vontade de vomitar – mas ratos não vomitam, embora se enojem. Então vamos ao arroz grudento.

Tuesday, January 01, 2008

UM 2008 DE VENTURA!



Ilustração, de minha autoria (sim, meus queridos, às vezes rabisco!) de meu próximo infantil (editora e título, por enquanto, são segredos).

Monday, December 17, 2007

GANHEI O FEUC 2007

Galera, aqui vai em primeira mão: Meu poema "Herança" ficou com o 1º Lugar na Categoria Outros Estados (concorrendo com 250 poemas de todo o país), será que o resultado foi justo? Então passa por aqui na próxima semana; publicarei o poema, junto com a foto do troféu, assim que depositarem o "trocadim" e o carteiro aparecer aqui em casa. ÊEEEEEEEEEEEEEEEEE! Ps. A Feuc fica em Campo Grande, interior do estado do Rio de Janeiro.

Saturday, December 08, 2007

EXTRA! EXTRA! FUI PREMIADO EM NOVA IORQUE

Galera, olha só que história: meu conto A SEGUNDA LUA DE ABRIL foi premiado pela UBE – seccional de Nova Iorque. O detalhe é que isto foi em 2001 e eu só vim saber bem depois; um leitor descobriu a notícia, por acaso, e me enviou o link. O lado bom é que, ao reclamar o prêmio, o trocadinho foi depositado. Para quem quiser conferir a notícia, segue o link:


www.bibvirt.futuro.usp.br/index.php/content/download/1719/9163/file/oes0210100_14.pdf -

Wednesday, December 05, 2007

NÃO IREI À PREMIAÇÃO DO LUIS JARDIM

Sorry.

Monday, November 12, 2007

EXTRA! EXTRA! GANHEI O PRIMEIRO PRÊMIO CIDADE DE CAPIVARI


"Eu tenho a força!" Eis o trófeu Cidade de Capivari pelo 1º Lugar; o poema será publicado aqui, no final do ano, numa antologia que reunirá textos premiados em 2006. O segundo e o terceiro lugar ficaram com:

Juliana Bernardo – 18 anos
São Paulo – São Paulo
e
André Morrot Hemerly – 51 anos
Niterói – Rio de Janeiro

Friday, November 09, 2007

AOS MEUS QUERIDOS 10 MIL LEITORES DO "DENTRO DA CHUVA AMARELA"

Estamos indo para a 3ª Edição - Obrigado!!! Para vocês deixo este vídeo.

http://www.youtube.com/watch?v=ECznJPcWiRI

Wednesday, October 10, 2007

É DIA 11! NÃO ME DEIXEM SÓ!

VI BIENAL DE PERNAMBCO
Às 14h00 estarei no auditório Clarice Lispector, conversando com a galera; às 16:30h teremos o lançamento junto com a Lenice Gomes. Não me deixem só!

Tuesday, February 06, 2007

SAIU MEU NOVO FILHO, DESTA VEZ COM A PAULINAS!

E AGORA, REI PAPUDO? Meu novo livro, pela Paulinas. Além da versão narrativa, também a versão para o teatro infantil. "Na corte do Rei Papudo rola a maior farra, é festa e carnaval o tempo todo; mas daí o Bobo da Corte vai criar um incidente com o Reino vizinho e nunca mais as coisas serão as mesmas."

Saturday, July 29, 2006


HELENA GOLD, romance
(Geração Editorial, SP, 2003)
Uma mulher em fuga, tentando chegar à Macchu Picchu. Ex-assassina; ex-jornalista, ex-esposa, ex-maníaca-depressica – quem é Helena Gold?
* Selecionado para o Prêmio Portugal-Telecom 2004
O livro também traz versão para o teatro,
capa dura com folha de rosto em cartolina
colorida e belíssima arte de Victor Burton

Atriz ISA FERNANDES Interpretando HELENA GOLD



Lançamento de HELENA GOLD na Livraria Siciliano do Shopping Recife, 06/12/2003. Noite de sábado, casa cheia, isso sim foi leitura dramática. Parabéns Isa - quem não foi perdeu!

UM CERTO RUMOR DE ASAS
Romance (Editora Nova Prova, RS, Novembro de 2003)

“Numa trama que lembra Caio Fernando Abreu e Júlio Cortazar; de Recife a Berlim, passando pela Fria Dursseldorf e pela ensolarada Ilha de Malta, personagens se cruzam numa noite chuvosa habitada por garotos de programa, violinistas alemães, psicólogas em crise, médicos psicopatas, arquitetos, e a constante presença do Anjo da Morte. Construído com técnica narrativa moderna, o livro foi agraciado pela crítica com quatro prêmios nacionais:

*Prêmio Nacional de Romance Fundação Cultural da Bahia 2000;

*1º Prêmio Vereda Literária 2001, MG, (Menção Honrosa);

*Prêmio Redescoberta de Literatura/Revista Cult 2001 (Menção Honrosa);

*Prêmio Casa de Cultura Mário Quintana 2003” in www.livcultura.com.br

Cena de O CORAÇÃO É UM ÓRGÃO IRRESPONSÁVEL



Rogério Bravo, Pascoal Filizola e Cia em cena de O CORAÇÃO É UM ÓRGÃO IRRESPONSÁVEL. Não gostei do que o diretor fez com meu texto, mas os meninos bem que se esforçaram.

Abaixo: Entrada de O DOCE BLUES DA SALAMANDRA.
ABAIXO A PEÇA, NA ÍNTEGRA:
walthermoreira@yahoo.com.br

O CORAÇÃO É UM ORGÃO IRRESPONSÁVEL
(Comédia urbana em quatro quadros e um final apoteótico)

PRÓLOGO

Um céu azul com nuvens brancas, ao fundo. Na borda do palco um homem jovem trinta, sentado ao violoncelo. Usa terno preto de concertista. Executa uma peça clássica (Bach: Suíte nº 1 em Sol Maior BWM 1007), enquanto o público se instala na sala; dir-se-ia que em lugar da peça, o público assistiria a um concerto. Ao som das notas finais da música, entram os três personagens:

Uma MULHER madura (Escrito para Isa Fernandes); um HOMEM na casa dos trinta (Escrito para Diogo Vilela); uma MOÇA LOIRA (Escrito para Denise Fraga). Todos bem vestidos, de modo semelhante, terninhos clássicos, roupas nos tons preto, vermelho e branco. Cada um deles traz uma cadeira. Posicionam-se de frente à platéia. Sentam-se.

MULHER: Não há segurança alguma no amor.
HOMEM: É tudo um risco...
MOÇA: Às vezes um desespero...
MULHER: às vezes o melhor é não ficar com ninguém...
MOÇA: ... mas também a gente não quer ficar sozinha...
HOMEM: ... é uma equação que não fecha, igual a dívida externa brasileira!
MULHER: Essa necessidade do outro... E o pior é que as pessoas não vêm com bula. Por que as pessoas não vêm com uma bula, hein? como os remédios?...
HOMEM: ... bastava uma etiquetinha...
MOÇA: ... “cuidado”, poderia dizer a etiquetinha, “canalha à vista”...
MULHER: uma bula com prazo de validade...
HOMEM: Contra-indicações!... isso seria bom...
MOÇA: instruções de uso!...
HOMEM: ... não, eu não quero a fórmula secreta da Coca-cola não! Não precisa ser tanto... bastava um pouco, um pouco de transparência nas relações... um pouco de transparência já estava bom...
MULHER: ou um recall de homens... olha que avanço! Isso mesmo: em caso de defeito, de cafajestada maior, ou... se, de repente, as engrenagens não forem muito bem... sei lá, um problema na manivela, ou na chave-mestra... era só a gente levar e trocar. Isso seria o Paraíso.
HOMEM: ... transparência... insisto na transparência...
MOÇA: atestado de garantia...
MULHER: Satisfação garantida ou seu dinheiro de volta! Todas as peças funcionando... principalmente aquela peça, seria uma beleza.
MOÇA: seria tão mais simples se todo mundo viesse com uma observação escrita na testa...
MULHER: “Veado!”
HOMEM: “Pilantra!”
MOÇA: “Mentiroso!”
MULHER: “Canalha!”
HOMEM: “Galinha!”
MULHER: Não precisava nem de Procom...
HOMEM: ... Serviço de troca...
MOÇA: ... bastava um aviso...

Mudança de luz. O Violoncelista começa a tocar O Mundo é um moinho, de Cartola.
Os três levantam-se e deixam o palco.

O Violoncelista toca por alguns momentos. Depois deixa o palco, o violoncelo permanece, encostado à cadeira.











Cena II (INFERNO)

Em lugar do céu, ao fundo, os azulejos de uma cozinha. A MULHER (de avental) fatia um salmão numa mesa, Cantarola “O mundo é um moinho”. Durante o monólogo, ela manipula os utensílios domésticos, brande a faca, serve-se de vinho, e prepara uma receita.

... Ainda é cedo amor, mal começaste a conhecer a vida... já anuncias a hora de partida... sem saber mesmo... o rumo que irás tomar... (Tempo. A mulher começa a fatiar uma cenoura.) Rodolfo... o nome dele era Rodolfo... era não, é: que o desgraçado não morreu... infelizmente! (Tempo. Levanta o rosto. Enxuga as mãos num guardanapo. Mira a platéia.) Meu ex-marido. Eu: “está gostando, amor, dessa saladinha?” Sabe aquele tipo que chamam as esposas de “Dona Encrenca”? o tipo que nunca está satisfeito, que não larga o controle da televisão? Futebol de manhã, Futebol de tarde, e ... Futebol de noite? E na madrugada: mesa redonda sobre... futebol, escuta aqui: se os homens gostam tanto de mulher e de futebol, como dizem, por que o futebol feminino não é sucesso, hein?
(Tempo.)

(Ajeitando o cabelo:) Depois de comer umas duas mil caixas de chocolate, depois de uma dieta do cacete, duas lipoaspiração e três mil carteiras de cigarros depois, percebi que não era bom... Pedi o divórcio. (Tempo. Pega a faca, fatia cebola. Segue com a faca até a borda do palco:) A diferença é pouca: quando a gente está namorando é um tal de “meu bem pra cá, meu bem pra lá”, quando tudo acaba é um tal de “meus bens pra cá, meus bens pra lá!”. Depois, dá nisso: tudo reduzido a quem vai ficar com a casa, quem vai ficar com o carro, quem vai ficar as aquarelas do Emílio Santiago... E lá se vão quinze anos de nossas vidas... Às vezes me dá uma raiva de mim, do meu excesso de educação... porque, porque o que eu devia ter tido era a coragem para gritar: “Vai tomar no cu, Rodolfo!” (Em tom de confidência:) Ele ficaria chocadíssimo... (Tempo.) Ai, meu Deus, que burra que eu fui de não ter colocado nele um par de chifres com aquele cara que veio reformar o banheiro! (Gesto:) Duas semanas de reforma, duas! (Tempo.) Um negrão lindo, enorme! Olho na argamassa, olho na minha bunda... Que besta que eu fui... (Tempo.) Seria melhor vingança do que pegar o Rodolfo dormindo e (gesto) cortar o braúlio dele, como fez aquela mulher lá, a Carolyne, de Miami... (Risos:) ... o mais incrível é que o safado do americano, o ex-marido da Carolyne lá de Miami, conseguiu reimplantar o dito cujo e acabou virando ator de filme pornô. O cara se chama Ted Dick e os DVDs estão aí em qualquer locadora para quem quiser ver... Só nos Estados Unidos: Um cara depois de capado virar ator de filme pornô... Não, eu não precisva ter capado o Rodolfo, bastava o negrão... (Confidente:) Aliás, se homem tivesse juízo, devia ter medo... aquela história: ele lá dormindo... a gente na cozinha com um monte de faca, com raiva, fatiando a comida... vai que de repente o diabo atenta... Se eu fosse homem, andaria na linha.

(Tempo. Noutro tom:)

Eu estava com uma amiga quando encontrei o Alfonso pela primeira vez: “Ele é tão bonito, não é?”, eu disse. “Mas pobre!”, ela comentou. “Ah isso não é tão importante assim...”, eu disse. “Desculpe, mas é sim, meu bem. Homem bonito e pobre é a mesma coisa que homem com um pinto grande... mas mole. Homem bonito só serve para ser amante. Não serve pra marido. Se você se casar com ele, a única certeza que vai ter é que as mulheres vão constantemente dar em cima dele. Ou seja: um inferno. A única maneira de garantir um futuro tranqüilo é se casando com um feio rico”, disse ela. Essa minha amiga é muito inteligente: deve ser por isso que está sozinha até hoje! “Olha só pras unhas dele, um nojo! Ele deve roer as unhas!”, ela disse. “Então roer as unhas deve estar fazendo um bem enorme pra ela... Nossa, que homem!” E me casei com o Alfonso bonito, pobre, e unhas roídas.

... Mas o pior mesmo, o estranho, é que às vezes a gente chega a sentir falta de um traste como o Rodolfo... E o sexo (curva-se) era uma booooooooooooosta. (Mão no peito:) E eu já fui apresentada ao orgasmo sim, antes do Rodolfo... e mais de uma vez! Uma escritora gaúcha ficou rica porque escreveu um livro chamado Perdas e Ganhos... diz que a gente ganha muito com a velhice: ganha experiência... de fato, agora eu tenho bastante experiência... mas meu Deus: o que é que eu vou fazer com isto!? (Tempo. Sem muita convicção:) Minha vida não tem sexo, mas é boa, é muito boa... tem o café filosófico da livraria Cultura, semana passada mesmo eu assisti a uma palestra sobre o Concubinato na Grécia Pré-Socrática... isso é importante; também faço dança de salão na companhia do Jaime Arouxa, pena que só vai mulher... quer dizer, tem homem também... uns veados! Vamos ser honesta... (Pensativa) ...Por que veado tem que aprender dança de salão, cozinha francesa, vinhos, francês, inglês e italiano? Será que já não bastava tirar os homens da gente? Porra, que concorrência desleal!

(Tempo.Olha os legumes na mesa.)

Eu era uma daquelas crianças que detestam brócolis, couve, pepino, tudo que fosse verde... agora que tenho experiência sei que se tivesse comido os vegetais naquela época, podia estar com uma pele de pêssego, ah, se eu soubesse que seria assim aposto que seria capaz de comer um caminhão de alfafa!

Voltaire já dizia que o injusto na vida é que quando temos experiência para aproveita-la, a vida já passou... Então é melhor fica sozinha do que mal acampanhada. Mas espere... Tem uma coisa estranha nisso... Quando algo dói e a dor passa a pessoa fica feliz ou pelo menos aliviada... mas... quando uma relação, que era ruim, acaba, por que isso não acontece? Mesmo quando era ruim, dificilmente a gente fica feliz... leva um certo tempo. Eu tenho uma amiga que vive com um traste há vinte e cinco anos e até hoje se desdobra em cuidados (grita para as coxias): “meu bem, cuidado com a chuva”, “meu bem, quer um copinho de leite com mel? Olha este resfriado”... (Pára, incrédula.)

Ai que raiva de nunca ter tido coragem de mandar o Rodolfo tomar no cu... fui estudar em colégio de freira: deu nisso...

Alguém aí precisa escrever O Livro do Não... ou O Livro do Pé na Bunda... Um manual para nos ajudar na hora de terminar com tudo. Para um tipo como o Rodolfo não ficar chocadíssimo quando a gente mandar embora. Nesse manual, poderia ter um capítulo sobre o “foda-se”.
Do Clássico (cerimoniosa): Olhe aqui, meu querido Rodolfo, foda-se!...
Elegante (sibilante): Foda-se...
Espirituoso: Ah, vá à merda. Foda-se, Rodolfo!...
Chique, tipo Marlene Dietrich: Foda-se...
(Tempo.) Tudo bem, estou tranquila agora... (Vai para trás da mesa e fatia, com raiva, uma cenoura. Larga a faca.)

(Tempo. Mudança de tom.)
Receita para segurar um homem: prometa muito, cumpra pouco e nunca, nunca, diga eu te amo... os homens gostam da dificuldade, senão não subiriam o pico Everest! Gente, eles passam mais de cinco dias pendurados. Vê se alguma mulher vai estar interessada em deixar o conforto de sua casinha para ficar (gesto) pendurada por uma mão só, comendo, dormindo, fazendo tudo pendurada, cagando no abismo... (Tempo.)

Receita para entrar no inferno: Confie nele: em cada uma das besteirinhas que ele sopra no teu ouvido quando estão na hora do bem bom... acredite que ele nunca te trairá... e dê no primeiro encontro! Olha, isso de dar no primeiro encontro é que acaba com a mulher de hoje. Isso desvaloriza a mulher de um jeito! Antigamente não, antigamente, meu filho, o cara ganhava o dia quando a mulher mostrava o pé... como no livro, “A pata da gazela”... (Tempo.) Esse negócio de sair por aí mostrando tudo, isso é um negócio contra a mulher... Na praia, por exemplo, vá à praia e fique olhando: homem não presta mais atenção em mulher não, eles só querem saber do voleibol. (Chocada:) É tanta bunda de fora, meu Deus... O excesso enjoa, será que ninguém percebeu isso não? Imagine o cara, o ginecologista, que se levanta e vai trabalhar, o cara fica das oito da manhã às seis examinando, examinando, vagina sai, vagina entra, vagina fecha, vagina abre... uma vagina vai ser a última coisa que esse cara vai querer ver quando chegar em casa!
(Tempo. Vai um aparelho de som e o liga: Sarah Vauganh canta: “setember song” Mudança de luz. Toda feliz:) Ontem conheci um cara, um cara diferente... numa delicatessem, estávamos na seção de frios... mas me subiu um calor! ... Um cara quente numa sessão de frios, engraçado isso, enfim: estávamos procurando salmão e só havia uma caixa de meio quilo... onde você encontrou este? Ele me perguntou. Acho que não tem mais, eu disse. Daí ele ficou com aquela cara de bobo... a boca aberta, uma expressão distraída... a gente podia dividir, eu disse, na, não, não, falou ele, gaguejando um pouco, faço questão, eu disse, e assim fomos discutindo até a caixa registradora... eu disse que estava tudo bem porque morava sozinha e ia fazer salmão com molho de peito de frango defumado, entendeu? Tem o frango também... deve render bastante, ele disse, é, rende muito, eu comentei... Eu também moro sozinho, ele disse. Ah, bom... eu disse. ... da caixa até o estacionamento dei a receita de família a ele: 1k de salmão rosa, 2 colheres de sopa de azeite de oliva, 115 gramas de peito de frango defumado, uma cebola em cubos, um talo de aipo em cubos, duas cenouras descascadas em cubos, duas xícaras de farinha de rosca... (Tempo. Retira o avental.)

(Toda melosa:) Devia ter trinta anos, ele... enquanto eu tenho uns “quarenta e poucos”... é... eu passei uns seis anos fazendo quarenta anos. (Vai até a borda do palco e abre o roupão. Veste um maiô, por baixo.) Mas acho que não estou tão ruim assim... (Ao contra-regras): “Dá para baixar esta luz? Obrigada... É, acho que com uma penumbra e se o cara tomar umas duas garrafas de vinho antes... o segredo é a garrafa de vinho antes, duas garrafas de vinho, viu gente... três não!, porque na terceira o cara broxa, mas com duas garrafas de vinho na cabeça, para o homem, qualquer uma pode virar a Juliana Paes... Com o vinho acho que eu passo... A gravidade faz essa coisa perversa com a gente: manda tudo pra baixo. Eu tenho uma amiga que ri assim (põe as mãos no rosto): segurando a pele do rosto, para não criar rugas: ha ha ha ha ha! (Tempo.) Coitada...

(Voltando ao tom narrativo:)
Daí a gente ficou conversando no estacionamento... (Tempo.) Ele me disse que era publicitário, mas que o negócio da publicidade não anda muito bem... Pelo carro dele eu vi que ele tinha razão... Tinha um violoncelo no carro dele. Puxa, um violoncelo, eu disse. Ele me falou que estava estudando música no conservatório...

(Em confidência, ao público:) Bonito, publicitário e ainda toca?! Esse homem não existe! (Retoma o tom narrativo:) Eu disse que era psicóloga, fazia terapia familiar, arranjava a vida dos casais... mas de noite qualquer um me pega em casa... Quer dizer: Eu só trabalho de dia, eu disse. Quando as coisas não andam bem, eu acho cozinhar um santo remédio, eu disse. Ele riu, ele disse que preferia comer... Pois eu adoro cozinhar, eu disse... mas também adoro homem que adora comer... a minha comida. Pois é... ele disse. Eu fiquei com medo de estar com cara de quem está pensando “me pega, moço, nem que seja por piedade”... (Tempo.) A cara da Mia Ferrows no filme A Rosa Púrpura do Cairo... Vocês se lembram? (Tempo.) Mesmo assim, eu disse: Você conhece a rua Corredor do Bispo? Então, eu moro ali pertinho do Hospital do Exército... número 26... passa lá em casa... a gente troca umas receitas... (Tempo.) Ah, eu vou passar mesmo, ele disse... Eu me senti meio ridícula, mas o amor é ridículo por natureza. (Tempo.) O Fernando Pessoa tinha razão... Depois ele disse tchau e eu disse tchau... Daí ele disse, “a receita, você está esquecendo de me dar a receita...”. Eu senti firmeza quando ele me pediu a receita. Daí, eu mais que rapidamente arranquei uma página da agenda e anotei: filés de salmão, três xícaras de vinho tinto, três colheres de sopa de manteiga, três colheres de sopa de farinha de trigo, meia xícara de creme de leite com soro, peito de frango defumado picado; salsinha, majerona, manjericão fresco e alho, tudo picadinho e sal a gosto. Lave e seque os filés de salmão. Despeje duas xícaras de vinho numa panela larga. Deixe ferver, reduza o fogo. Escalde o salmão no vinho por uns 10 a 12 minutos. Numa frigideira derreta a manteiga, doure o alho, acrescente a farinha e cozinhe por 2 minutos em fogo baixo. Acrescente o creme de leite, uma xícara de vinho tinto, o manjericão, e o frango. Deixe engrossar. Coloque o salmão no prato, sirva com o molho e salpique o manjericão e a manjerona.
(Tempo.)
Ele agradeceu... Eu disse tchau... passa lá em casa.
(Tempo. Volta para atrás da mesa. Recolhe os utensílios. Serve-se de vinho.)

Se ele não vier, tudo bem, vou comer meu salmão, tomar meu vinho... boto um disco... vai ficar tudo bem. (Tempo. Billie Holiday começa a cantar “You dont know what loves is”.)

Esse necessidade de final feliz, essa necessidade de Happy End é que é uma tristeza... (repete:) é... essa necessidade do Happy End é que é uma tristeza... o Happy End é uma invenção americana... coisa de Hollywood... começou lá pelos anos 40...depois da segunda guerra, estava aquele clima de baixo astral depois da guerra aí os produtores de Hollywood disseram vamos levar o povo ao cinema! E tome musical, e tome histórias de amor com final feliz... tinha final feliz até em filme de terror! Imaginem isso... essa necessidade de Happy End é que é uma tristeza... você passa um, dois, cinco anos com um homem... acaba, vem alguém é diz que não deu certo... Mas deu certo por um dia, uma semana... um ano... Essa necessidade de Happy End é que é uma tristeza...
(Tempo.)

É... ele disse que viria. (Tempo. Olha o relógio, senta-se.)
Puxa vida, já é difícil a gente atravessar a infância sabendo que (conta nos dedos:) o Coelhinho da Páscoa não existe... o Papai Noel não existe... nem existe a fada do dente... depois chega-se à idade adulta e se percebe: como homem mente! Gente... (pega a fruta:) até o tomate não é o que parece, gente: o tomate não é legume não, o tomate é uma fruta!

(Tempo. Acende um cigarro. Num tom sereno:)
30 minutos para preparar uma receita... 15 anos para um casamento... tudo tem um tempo; quanto tempo dura essa necessidade que a gente tem de amar? em quanto tempo isso passa? Quando é que isso passa? Ah. O nome dele era Pedro. Pedro Fontana. Era não, é. Que ele ainda está vivo... felizmente.

A luz fecha. Um violoncelo solo executa “You dont know what loves is.”







Cena III (PURGATÓRIO)

Em lugar dos azulejos de cozinha, janela com a cidade ao fundo. Um escritório. Sala de reuniões, com quadro demonstrativo, tela para projetor de slide, etc. Toca o tema da peça, no violoncelo: 1 min. Entra o HOMEM: um jovem publicitário. O terno está em cima da cadeira. O homem usa camisa branca de manga curta e uma gravata colorida. Um dos braços está engessado.

O homem, de modo triste, assobia “O mundo é um moinho”. Pára. Abre a pasta, começa a recolher coisas em cima da mesa, abre gavetas; dir-se-ia que é seu último dia de trabalho, que foi demitido. (Tempo.) Pega um porta-retrato.

Pedro... Pedro Fontana, o nome do cara...

(Tempo. Retira a foto do porta-retrato, pára um tempo, indeciso, termina por rasgar a foto, com gestos sossegados; guarda o porta-retrato na maleta. Senta-se na cadeira-giratória, dá algumas voltas. Vai até a borda do palco.)

Você sabe que Deus existe quando, desempregado, encontra o anuncio no jornal: “empresa de grande porte oferece duas vagas para publicitário jovem, até 30 anos, 2 anos de experiência, inglês fluente, boa aparência, salário compatível com a função” etc e etc. Você diz, que ótimo! Porque você tem tudo isso que pedem e mais alguma coisa...então você envia o currículo à empresa e dez dias depois, recebe um telegrama para a entrevista. Se arruma, capricha na barba, bota o melhor perfume... que deve ser discreto!, não se pode exagerar no perfume numa hora dessas... e lá se vai você (gesto) cheio de esperança... (Tempo.)

(Toca a ponta da gravata.): ... gravata de bichinho... ou você tem ou não é um publicitário... esta foi presente, amigo-secreto, aquela coisa... foi o Pedro que me deu... (Começa a retirar a gravata, coloca-a no lixo.)

(Retomando o tom narrativo:)
Daí, chegando no tal lugar, assim que você chega na sala de recursos humanos da empresa você encontra, pelo menos, uns 40 sujeitos! Isso que dizer que você será o último a ser entrevistado, ou seja: você está fodido! Você começa a ficar desanimado... mais aí você vê o cara... (Ouve-se o bater rítmico de um coração.) ... você senta ao lado dele e ele lhe sorri. Nessa hora você passa a acreditar que Deus não só existe como ama você! Pronto: num segundo, você não quer mais sair daquela sala apertada! Seis horas depois foi todo mundo embora... restaram você e o cara... Ele é o penúltimo a ser chamado... você diz “boa sorte”; ele diz “pra você também”... você se sai ótimo na entrevista de modo que se um anjo descer do céu e lhe perguntar se você quer o cara ou o emprego, você coça a cabeça e pergunta: mas não dá pra ser os dois?! (Tempo.) Mas o melhor está para acontecer: ao sair, você dá com ele no estacionamento... o carro não quer pegar... (vibrando:) yes! ... coitado, o carro dele é um lixo... “Eu te dou uma carona”, você diz... “mas só se você me deixar pagar uma cerveja, antes!”, ele diz. Skol ou Bhrama?, você pergunta... (vibrando outra vez:) Uau... (Tempo. Miles Davis começa a tocar “Nature Boy”. O ator senta-se na cadeira, de frente para o público, como se numa mesa de bar).

Bonito, 32 anos, publicitário... músico nas horas vagas... 5 anos de conservatório! Violoncelo... muita esmola, né não? Espere aí... um homem que curte Nina Simone... Billie Holiday, jazz… (De novo o bater de um coração.) Tudo ótimo. Fica faltando só duas coisas: o cara ser gay e gostar de você. Você fica amigo do cara ali, na hora. Diálogo você já tem! Já é um começo... Agora: saber se o cara é gay já é outra coisa... Mas calma, há técnicas para isso. Pista número um: Você pode perguntar quantas vezes o cara malha durante a semana: um pouco de esporte é bom, mas se o cara tem fixação pelo corpo, esse negócio de malhar todo dia? o cara é veado - mesmo que não saiba! (Tempo) Pista número dois: Você tem que perguntar ao cara: ‘Coca-cola ou Guaraná?’ Ah, isso pouca gente sabe, só quem é do ramo entende (frisa): do ramo da publicidade, hein gente, não veadagem; é que quando foram inventar a garrafa da Coca-cola, pensaram num corpo de mulher (vai ao expositor e mostra as silhuetas das garrafas): é por isso que a garrafa tem aquele formato, de corpo de mulher, e mulher daqueles bem peitudas, propaganda subliminar! (Toma ares professorais:) Você vê a garrafa de Coca-cola, mas seu subconsciente, taram!, vê a figura de uma mulher gostosona... e então a agarra... não é a toa que a Coca cresceu tanto! ... já o nosso Guaraná, foi feito para se assemelhar a um homem... não tem a cinturinha da Coca, e aqui em cima o peito é todo estofado... Pista número três: (Off: Toca um celular.) Isso... o toque do celular... tudo bem que o cara seja criativo, ou tenha espírito esportivo, mas celular tocando “o lago dos cisnes”?... tam-tam-ram,ram-ram, pam... ram-raram-ra-ram..” ou o tema de Love store “Pam-pam-pam-pam, pam-pam-pam...”. (Tempo) Pista número quatro: filmes prediletos... Fique alerta se o cara disser que assistiu ao Titanic, e saia correndo se ele disser que gostou! (Tempo.) Fique alerta se o cara vier com aquela história de que gosta de Fellini... que o flime predileto do Fillini é “La Neve Vá”, porra, isso é lá título de filme de homem! (Gesto:) “La neve vá...” Também não vale se o cara é daqueles que viu Rambo I, Rambo II, Rambo III... e torce para que façam um Rambo IV! (Tempo.) Pista número cinco: Um cara que mora com a mãe. Fuja desses! Conheci um que toda vez que tínhamos que sair ele inventava para a mãe que estava indo a um churrasco. A mãe dizia, mas meu filho, churrasco às dez horas da noite??? Só se for na casa do Drácula! (Tempo.) Um dia a velha se injuriou comigo: “Por que o senhor não pára de ficar convidando meu filho para um churrasco atrás do outro?” Eu respondi: Por que seu filho, minha senhora, é que é a carne! (Tempo.) Pista número seis: o perfume! o cara só anda perfumado... parece vendedora do Boticário... (Tempo.) Por que, meu Deus, veado e puta têm que andar tão perfumados?!

Pedro... Pedro Fontana. Durante a cerveja eu perguntei se ele praticava algum tipo de esporte. Porque, de repente, vai que ele é um daqueles caras do Jiu-jitsu, daqueles que têm suco de açaí no lugar do cérebro! Melhor então nem chegar perto... Ele disse que corria na praia, às vezes, mas que tinha feito cama elástica na Faculdade – Hã? Meu coração deu um pulo: porra, cama elástica! Cama elástica só perde mesmo pro balé!

(Mão no peito:) Eu tenho o meu gaysômetro. E juro que nessa hora ele disparou.

Passam semanas... (A música soa alta durante dez segundos.) O cara vai ficando teu amigo... (Tempo.) Não que um amigo de verdade, só amizade pura, não seja bom... o problema... (estala os dedos, tentando encontrar a palavra certa) ... o problema é que amigo não... agarra!

(Tempo.) Daí, um belo dia, o cara pergunta: “vai fazer o quê neste fim de semana? Passa lá em casa, pra gente tomar uma...” Nessa hora é bom dizer (displicente:), “vou ver se vai dar...” nunca diga “já estou nessa”... não... deixa um pouco de incerteza no ar... nem que seja por vingança, pelo desgraçado ter deixado você esse tempo todo no Purgatório!...

O grande dia chega: (põe uns óculos escuros) você vai até a casa do sujeito... O cara está praticando jardinagem... sem camisa, todo suado lá no meio das bromélias... (Tira a camisa, ouve-se o bater de um coração. Acende um cigarro, que passará a fumar, meio nervoso, a partir daqui); “olha desculpa que eu estou fedendo”, diz ele... “tudo bem”, você diz, você não está fedendo, você só está suado... e homem suado tem mais valor de mercado... o cara ri... “vem aqui”, diz ele... “vem aqui, me abraça por trás”... o quê?! (O bater de coração soa mais alto. O ator tira os óculos escuros). Naquele momento eu tive a tensão do cara que tem que cortar o fio da bomba: o fio vermelho ou o verde? O fio vermelho ou o verde? E a bomba tic-tac tic-tac tic-tac. (Tempo.) Você vai... (Ao público, encolher de ombros:) o que você pode fazer? Você abraça o cara...

Assim está bom?
“Chega mais perto”..., ele diz.
Assim?, você pergunta.
“Ótimo!”, ele diz.
E bam! (O ator se atira ao chão. Quase escuridão brusca e absoluta. Voz desfalecida:) ... o cara te dar um golpe de judô... uma porra de um golpe de judô! Judô... o cara só queria te mostrar um golpe de judô...

O ator está deitado, sopra o cigarro. Uma luz azul o enfoca. Ouve-se as notas finais de “You don’t know what loves is” na voz de John Martyn.

PEDRO(off): Te machuquei? Cara, desculpe... me desculpe, porra, quebrou alguma coisa?... levanta daí... não, melhor não se mexer! Está doendo alguma coisa? não se machucou não, não foi? Porra, me desculpe, fica aí que vou buscar gelo...
ATOR (off) Judô, judô, ju dor…dor... dor...

Ator no palco: Então você sabe: se Deus existe... Ele está brigado com você.

O ator deixa o palco, mancando.










Cena IV (PARAÍSO)

Toca a música tema do espetáculo no violoncelo solo: 1 minuto. Ao fundo, azulejos de banheiro. Uma banheira. Entra a MOÇA: está envolta numa toalha azul, os cabelos presos numa touca. Nas mãos, um escovão e sais de banho. Durante a cena, entra na banheira, lixa o calcanhar, etc. Do lado extremo do palco, de jaleco e estestoscópio, seu ex-namorado, um médico jovem.

O telefone toca. A moça o atende.

Ela: (contrafeita): Merda!... alô?
Ele: Alô, Priscila? por que você não retorna as minhas ligações?
Ela: Foi bom você ter telefonado agora porque eu quero te dizer uma coisa... eu quero dizer que acabou, Michel.
Ele: (indignado) Priscila, você está acabando comigo pelo telefone!?
Ela: ... Desculpe... Eu ia te mandar um e-mail.
Ele: Pois eu quero que você venha aqui e repita que não me quer mais, na minha cara.
Ela: Mas por quê? Eu não já estou dizendo isso agora? Que diferença vai fazer eu gastar gasolina para ir aí?
Ele: Porque... porque... porque é muito fácil mentir por telefone!
Ela: Michel...
Ele: Espera aí, não desliga, não desliga que essa conversa me deu vontade de mijar. Você sabe que a minha bexiga fica sensível quando estou nervoso.
Ela: Escuta, Michel, preciso desligar...
Ele: É só um minutinho, amor!
Ela: Até a boneca Barbie tem uma bexiga maior que a sua!
Ele: Pronto: Voltei!
Ela: Olha, Michel, não tem nada a ver com você, tirando a bexiga frouxa você é um homem do caralho...
Ele: Sei.
Ela: Sério. No duro. O problema é comigo, eu nunca sei como lidar com as pessoas. A começar por minha mãe, minha relação com as pessoas sempre foi complicada.
Ele: Mas sua mãe é maravilhosa. É a sogra que todo genro pediu a Deus!
Ela: Minha mãe vivia tentando me botar pra fora, Michel!
Ele: Mas isso, amor, acontece até na natureza, o tempo. Depois de um tempo, até a mamãe águia expulsa o filhote do ninho, é para ele aprender a voar, desmamar, está entendendo, a sua mãe estava só querendo que você amadurecesse!
Ela: Acontece, Michel, que quando ela vivia tentando me expulsar eu ainda estava na barria dela, porra! (Tempo.) Olha, desculpa, vou ter que desligar...
Ele: Não, não Jéssica, espera, está me dando uma dor, não desliga, amor, qualquer r coisa menos isso!
Ela: Olha, Michel, pensa bem, a gente só faz brigar o tempo todo, seja verdadeiro com você mesmo...
Ele: Verdadeiro? Quem é você pra falar em verdadeiro? Não há nada verdadeiro em você, Priscila, até teus peitos são falsos!
Ela: Michel!
Ele: Desculpa, desculpa, amor, é que estou alterado...
Ela: Também isto está doendo em mim, Michel...
Ele: Você não sabe o que é sentir dor, meu bem: eu sim sei o que é sentir dor! Eu já prendi o saco do zíper da calça, Priscila. Isso sim é sentir dor! Olha, vamos conversar...
Ela: Desculpa, Michel, mas vou ter que te perguntar uma coisa...
Ele: Ih... lá vem!
Ela: Mas só se você me prometer não ficar chateado...
Ele: Manda!
Ela: Não, Michel, antes me promete...
Ele: Prometo...
Ela: Michel... você é veado?
Ele: O quê?! Porra, Jéssica!
Ela: Desculpa, amor, mas é que você é muito sensível, Michel... eu preciso de um cara que seja mais... homem, entendeu?
Ele: Sabe o que você é? Você é uma vaca, Jéssica! É isso que você é!
Ela: Está vendo só? É disso que eu estou falando. Seja adulto, Michel!
Ele: Não seja adúltera, Jéssica!... Olha, amor, desculpa, a gente não vai chegar a lugar nenhum indo nessa direção...
Ela: Que ereção, Michel? Faz tempo que você não –
Ele: Direção, eu disse direção! Está vendo que não dá certo falar por telefone?
Ela: Olha, Michel, ainda bem que teu pinto não é do tamanho do teu QI, porque senão querido sua situação não seria nada boa.
Ele: Então, amor, nossa transa já foi boa...
Ela: Há muito tempo, querido...
É porque ultimamente você tem andado fria comigo, Jéssica...
Ela: Estou fria sim, Michel, fria igual um cadáver! Afinal você me matou!
Ele: E quanto a mim? O que você vai fazer se eu morrer?
Ela:Comprar um vestido preto. Mas isso não vai acontecer, Michel, vai ser mais fácil o fogo do inferno se apagar.
Ele: Quem é ele?
Ela: Não tem ninguém querido, ninguém...
Ele: Mentira! Você está mentindo! Você é uma macaca safada: só larga um cipó quando pega outro!
Ela: Não, não tem ninguém... A bateria do celular está acabando... alô (finge que o telefone morre).
Ele: Não desliga, Priscila, Priscila?! Sua vaca! Eu devia ter comido sua bunda quando tive chance, só assim você me respeitava!


(Barulho de telefone interrompido. Tempo. Mudança de luz.)

PRISCILA (Ao público):
Ele é meio bobo mas tem razão... eu conheci um outro cara... Pedro... Pedro Fontana, conheci semana passada...

(Tempo. Nina simone começa a cantar “I love you Porgy”.)

Conheci no geladinho... eu nunca pensei que não saber dirigir pudesse me ser útil nesta vida! porque eu não dirijo, fui até numa psicóloga mas não teve jeito... ele disse que o carro dele estava com problemas... (Tempo.) Eu não sei nem como o assunto começou, mas num instante a gente estava falando sobre beleza, beleza física... Ele disse que beleza era um conjunto, tudo depende de várias coisas... beleza depende do modo como a gente fala, de nossa inteligência, não é só uma questão de corpo... em pouco tempo eu estava boba, não é todo dia que a gente encontra um homem bonito, com esse nível de compreensão... eu pensei “vamos sua besta, faça alguma coisa!” porque nessas conversas não é bom deixar o silêncio demorar porque de repente o cara desce, ou o assunto acaba.. “Calypso!!”, gritei, “Você gosta da banda Calypso?” Ele disse que nem conhecia. (Tempo.)

Ah, eu disse... pronto: foi o fim da picada... mas aí, antes de descer, ele me deu seu cartãozinho... e no mesmo dia eu liguei... aí, conversa vai, conversa vem... a gente outro dia tomou um café no shopping. Eu marquei na livraria porque não podia fazer feio... por outro lado, também gosto de ler, e só leio coisa fina: de Paulo Coelho pra cima! (Tempo. Elevada:) Estava tocando música clássica, eu aproveitei e disse que gostava, principalmente daquela pam-ram-ram-ram-pam...; não tem aquela assim? sei, ele disse, qual é o compositor, ele perguntou, ah, eu não lembro, eu disse, é uma que tem um violino e que faz assim “lá, lá, la ríii”. Eu gosto mesmo é de jazz, ele disse, Nina Simone, Sarah Vaugah, Billie Holiday... Eu toco violoncelo, ele disse. Também adoro música orquestrada!, eu disse. Ele teve que ir embora logo por causa do trabalho. Quando ele foi embora eu entrei numa loja de disco e fui procurar as cantoras dele: estou escutando Nina Simone faz uma semana! (A música aumenta de volume e chega ao fim. Tempo.)

Ele é... Culto, fino... mas não é do tipo muito sério. Pra falar a verdade, fiquei com trauma de homem sério por causa de um namorado que tive. Um que parecia pesquisador do censo: perguntava tudo... até na hora do sexo ele falava demais: “você está se divertindo?” Ele queria saber “..não, Afonso”, o nome dele era Afonso, você está gozando?, perguntava. Eu dizia, “não, Afonso, eu estou levando a sério!”
(Tempo. Agora embevecida.)

Já o Pedro não... o Pedro é.... diferente. Hoje eu fiz uma loucura: estourei o cartão de crédito mas comprei todos os livros do Freud: quando ele tiver a fim de conversar, assim que me der chance, eu entro com aquele negócio de ID, de Ego, Complexo de Édipo, Superego.... é só ele me dar oportunidade de abrir a boca eu tome Freud! Vai ser lindo...

(Tempo.)
... Um dia eu vi um filme, se chamava “amor”... tinha um cientista explicando (toma ares professorais:) os responsáveis pelos sentimentos são as glândulas e as terminações nervosas. Quando uma pessoa pensa que está apaixonada o que acontece é que está produzindo uma grande quantidade de dopamina, noraprimifina, enfetamina, trigocemina e etc e etc, tudo produzido no sistema límbico, uma parte primitiva do cérebro – tudo euforia, nada mais. Ou seja, a paixão, meus senhores, não passa de uma anomalia, não é nada mais que um completo desequilíbrio orgânico!
(Tempo.)

Mas que é lindo é. Tem coisa melhor do que beijo? Beijar na boca é bom, né? É a parte que eu mais gosto. São três milhões de bactérias que a gente pode pegar com um único beijo... visto assim até que é meio nojento... mas que é bom é. A velha história: tudo que a gente gosta é ilegal é imoral ou engorda. Meu beijo preferido é aquele tio Tapete Vermelho: aquele onde você abre a boca e a língua do cara (gesto:) vem se desenrolando se desenrolando pra dentro da boca da gente... igual ao tapete vermelho da cerimônia do Oscar... depois vem aquele amasso bom... os seios da gente ficam até desnivelados... a ponto de nem o doutor Pitanguy dar jeito!

(Tempo.)

Ele me disse que andava tão duro que na casa dele não tinha sequer televisão...
Eu perguntei: e sofá, tem?
Ele disse que sim.
Ah, então está bom! Na verdade eu queria perguntar se ele tinha cama. (Tempo)

Não tem como não ficar um pouco nervosa no primeiro encontro! Mas uma coisa eu aconselho: o bom a fazer é dar logo no primeiro encontro e fazer de tudo, sem recalques, porque se tem duas coisas de que homem gosta: uma é futebol, a outra sacanagem. Assim o cara já fica sabendo o que vai perder se botar o pé fora.

Ele não perde por esperar!

(Ouve-se Over The Rainbow. Escuridão.)















Cena V (CASAIS)

Ao fundo, o céu do inicio do espetáculo. Do teto desce um globo espelhado de discoteca. Os três personagens (Homem, Mulher e Moça) estão de volta, com a roupa do início da peça. Durante a cena, os três se revezam, entrando e saindo do palco, trazendo objetos como garrafa de vinho, taças, etc, de acordo com a fala. O texto pode ser gravado e apresentado em off, a critério do diretor, cabendo aos atores a tarefa de expressá-lo através de mímica. Como fundo musical: música eletrônica, agitada, frenética e, ao final, bateria de escola de samba.

MULHER: Acordamos às sete da manhã e vamos arrumando a cama, estendendo os lençóis, ajeitando a colcha.
MOÇA: Tomamos banho em silêncio, estamos ainda sonolentos, não queremos conversar.
HOMEM: É uma boa hora para fazermos amor, mas não temos ânimo. Coamos o café, esquentamos o leite, comemos pão com manteiga, lemos as manchetes do jornal. Lemos as manchetes e deixamos o jornal de lado com o firme propósito de continuar à noite.
MOÇA: Sabemos que não vamos ler depois, mas mantemos viva essa ilusão.
MULHER: (Abrindo uma sombrinha) Se chove, falamos que está chovendo e o trânsito está uma merda e é impossível viver nesta cidade.
HOMEM: (Pondo óculos escuros) Se faz sol, reclamamos do calor, da sede, da luz que quase nos cega. Sempre fazemos comentários sobre o tempo. Conversamos futilidades.
MOÇA: Nada temos a dizer, mas não podemos viver calados.
MULHER: Quando encontramos alguém, fazemos festa, recordamos os bons tempos, sentimos algo agradável que não sabemos ao certo definir.
HOMEM: Nem sempre somos sinceros nessas ocasiões.
MOÇA: Desenrolamos o fio de Ariadne. Enrolamos o fio novamente no novelo.
HOMEM: Quando alguém faz um gol, gritamos gol. Não ficamos nem tristes nem alegres.
MULHER: Vivemos numa zona de sombras. Não queremos morrer, não queremos viver.
HOMEM: E trabalhamos, trabalhamos, trabalhamos. Ao meio-dia nos liberam para o almoço e devemos retornar às duas. Engolimos a comida, temos pressa.
MOÇA: saímos para fazer compras, folhear revistas, ir ao banco, dispomos de meia hora para tudo isso e a fila do banco não anda.
HOMEM: ainda existe banco. Então comentamos as tragédias do dia anterior, a última novidade da informática, o pronunciamento do senhor presidente da República. Procuramos estar atentos às inovações.
MULHER: sabemos que quem não se atualiza, corre o risco de morrer em vida.
MOÇA: deu no Fantástico.
MULHER: deu na Caras.
HOMEM: deu na Veja.
MULHER: está em todas as revistas.
HOMEM: não podemos ignorar o que todos sabem.
HOMEM, MULHER E MOÇA (uníssono): Nossas vozes se confundem.
HOMEM: temos a nítida impressão de que nossas palavras não são nossas.
MULHER: durante anos vivemos perdendo a memória. No entanto esse fato não nos prejudicou. Ao contrário, a amnésia nos protegeu das culpas e do arrependimento.
MOÇA: é certo que levou também nossas melhores lembranças. Mas o que é que se pode fazer com lembranças?
HOMEM: à noite, quando o céu é mais misterioso, quando a vida revela seus segredos, nos acomodamos em silêncio diante da televisão. Preferimos Faustão às estrelas.
MULHER: é um bom sinal de que a Civilização está no fim: preferimos Faustão a olhar às estrelas do céu.
MULHER: em geral não assistimos aos programas. Ligamos apenas porque não suportamos a solidão.
MOÇA: temos receio de conversar novos assuntos. Nunca vamos além do permitido.
HOMEM: por vezes, um de nós solta um peido.
MULHER: sorrimos. É uma senha, afinal, estamos vivos.
MOÇA: no frio, nos envolvemos com mantas e ficamos a descobrir uma ou outra estrela latejando entre a névoa.
HOMEM: é um belo espetáculo, mas nos cansamos dos belos espetáculos.
MOÇA: a verdade é que nos cansamos de tudo.
MULHER: em noites de ventanias, padecemos de insônias.
HOMEM: nos abraçamos.
MULHER: não propriamente pela afeição que sentimos.
MOÇA: mas pelo costume.
HOMEM: tossimos. Ofegamos. Mudamos de posição. Fazemos barulho entre os lençóis.
MULHER: precisamos comunicar um ao outro que ainda não dormimos.
MOÇA: o sono tarda.
HOMEM: os sonhos são fardos. Não somos capazes de contar carneirinhos.
MULHER: já não sabemos fazer contas. Há milhões de coisas a fazer.
MOÇA: despertamos.
HOMEM: mil opções de programas. Mil alternativas e nenhuma é a mesma coisa. A cidade tem cento e cinquenta salas de cinema, noventa teatros, oitocentos restaurantes, zoológicos, museus, casas noturnas, saunas, clubes, sex shops.
MULHER: mas não precisamos ir a nenhum deles.
MOÇA: o mundo vem até nos de qualquer maneira.
HOMEM (medo): não podemos escapar. Nos habituamos à guerra e à paz.
MULHER: temos de reformar a casa, trocar os móveis, comprar outro carro...
MOÇA: depois, temos de reformar a casa, trocar os móveis, comprar outro carro...
MULHER: se queremos ser diferentes, temos de ser iguais: ter uma casa igual aquele casal da revista Quem, um sofá igual ao casal de Caras. Queremos o Feng Shue já e uma parede toda vermelha, como manda o Feng Shue.
HOMEM: e somos engraçados, apesar de tudo. Cozinhar, beber vinho, tomar chuva, muitas coisas nos divertem.
MOÇA: rimos!
MULHER: rimos por ter dores tão simples.
MOÇA: e conforme rimos, vamos chorando. Odiamos a falsa loura que mexe a bunda na televisão, mas o dinheiro dela nos viria a calhar.
HOMEM: somos extraordinariamente fortes.
MULHER: somos escandalosamente frágeis.
MOÇA: somos líricos demais.
HOMEM: não lemos, e quando lemos escolhemos nossos livros na lista dos mais vendidos.
MULHER: gostamos de dizer que não lemos mais porque livro é caro.
HOMEM: mas não achamos caros o ingresso para ver o futebol. Nos estapeamos para pegar um ingresso a 50 reais para um clássico no futebol!
MOÇA: damos repostas politicamente corretas.
HOMEM: somos pobres demais, talvez nunca possamos esquiar em Aspen, onde a revista Caras nos mandam ir...
MULHER(entrando com balões): Quando um conhecido faz aniversário, cantamos parabéns pra você.
MOÇA: somos amados e odiados.
HOMEM: enganamos.
MULHER: somos enganados.
HOMEM: discutimos, rompemos relações.
MOÇA: fazemos as pazes.
HOMEM: temos vergonha de nossa nudez, nossa barriga, nossa calvície, nossas roupas.
MULHER: quando estamos em casa, queremos ir a outro lugar.
MOÇA: quando estamos em outro lugar, queremos voltar para casa.
HOMEM: gostamos de viajar, mas nossas viagens se restringem aos preparativos.
MULHER: sim, os preparativos são idílicos: contamos para as amigas, passamos noites inteiras arrumando as malas, tentando colocar o xampu numa embalagem menor mas vazia só achamos uma embalagem de colírio...
HOMEM: no momento em que entramos no carro e pegamos a estrada, ou nos metemos em aviões, a viagem termina. Os problemas vão chegando um a um. E nos seguem.
MULHER: as incertezas nos desesperam. Não sabemos mais em que acreditar: na psicanálise, nas seitas orientais, na terceira onda, no fim iminente por uma guerra nuclear, nas profecias de Nostradamus, na nova Igreja Católica.
MOÇA: matamos Deus.
HOMEM: ressucitamos Deus.
MOÇA: matamos Deus novamente.
HOMEM: voltamos a ressuscitá-Lo.
MULHER: e, a todo momento, nos injetam novos dados, mais informações. Não nos lembramos mais quem foi Hitler.
MOÇA: por um momento galgamos a fama. Damos entrevista aos jornais. Somos convidados a escrever um livro, gravar um disco. Em todas as esquinas falam de nós. Passamos a ser ídolos de uma geração.
HOMEM: uma geração de horas. E depois somos esquecidos para sempre.
MULHER: esquecidos da mesma maneira que esquecemos do preço do arroz, a dor da semana passada.
MOÇA: vamos vivendo, vamos morrendo. Temos sempre desculpas prontas para a mesma ocasião.
MULHER: as revistas femininas só falam em sexo anal.
MOÇA: mas temos medo do sexo anal.
HOMEM: tentamos o sexo anal.
MULHER e MOÇA (uníssono): nos estrepamos!
HOMEM: pedimos socorro por olhares, mas quase todos estão cegos.
MOÇA: somos vítimas inocentes.
MULHER: nas ruas, encontramos conhecidos. Pessoas que passam todos os dias pelos mesmos lugares onde passamos.
HOMEM: nunca nos cumprimentamos. Nunca trocamos uma palavra.
MOÇA: mas mantemos uma cumplicidade.
HOMEM: e nos sentimos abandonados quando um desses conhecidos desaparece por um dia. São nossa segurança.
MULHER: conhecemos muito bem a cidade.
HOMEM: sentamos no carro, fechamos os olhos, e vamos dirigindo.
MOÇA: conhecemos de cor o tempo de duração dos sinais verdes.
HOMEM: todos os movimentos do trânsito.
MOÇA: todas as avenidas que mudaram de direção.
HOMEM: achamos que dirigimos muito bem.
MULHER: batemos o carro!
MOÇA: mas a culpa é do outro.
HOMEM: dizemos mulher no trânsito é foda.
MOÇA: a culpa sempre é do outro.
MULHER: fatiga-nos a mesmice dessas mudanças.
HOMEM: nossas mães dizem que não temos o sucesso daquele primo, daquela prima, daquele vizinho que a gente quer ver morto porque o carro dele é muito melhor do que o nosso.
O TRIO (uníssono): nossas mães são foda mesmo.
HOMEM: engordamos. Ficamos com vergonha de tirar a camisa. Se vamos à praia, não nadamos mais, apenas passeamos pelo calçadão e tomamos água de coco.
MULHER: segunda-feira começaremos a dieta.
HOMEM: segunda-feira começaremos a correr no parque.
MOÇA: segunda-feira começaremos a parar de fumar.
HOMEM: segunda-feira, quanto mais no futuro, melhor.
MULHER: aliás, temos medo do futuro.
MOÇA: então vamos à cartomante.
MULHER: e a cartomante nos diz um monte de coisas boas: vamos arranjar marido rico e viajar para Paris.
MOÇA: a cartomante nos arranca 100 paus!
MULHER: mas ficamos felizes.
MULHER: fazemos pergunta. Respondemos. Verdade ou mentira, não importa.
HOMEM: quando chega a primavera, dizemos é primavera.
MOÇA: e vamos ao museu.
MULHER: não entendemos muito de arte moderna. Nem a pós-moderna.
HOMEM: fiamo-nos na opinião dos críticos.
MOÇA: divergimos da opinião dos críticos.
MULHER: cagamos para a opinião críticos.
HOMEM: um cara mijou num pedaço de estopa, pendurou numa parede branca e disse que aquilo era arte.
MOÇA: depois vendeu por oito mil.
HOMEM: dólares!
MULHER: O coração dói...
HOMEM: A gente não sabe se é infarto ou solidão...
MOÇA: Pois o coração é um orgão irresponsável...

(Tempo. Escuridão brusca e absoluta.)

HOMEM: apontamos a arma para a têmpora.
MULHER: atenção: apontamos a arma para a têmpora.
HOMEM: mas não atiramos. Não somos covardes.
MULHER: ainda nos resta um fio de coragem.
MOÇA: cruzamos largos corredores, diversas crises: a crise dos 15, a crise dos 30, a crise dos 40, a crise dos 50.
HOMEM: temos mestrado, doutorado e pós-doutorado em crises.
MULHER: mas sempre sobrevivemos.
MOÇA: por isso, no final das contas, nos abraçamos.
HOMEM: mas não chegamos muito perto, abraçamos pela metade.
MULHER: vez por outra nos beijamos.
MOÇA: quase não sabemos mais beijar.
HOMEM: desaprendemos muitas lições.
MOÇA: não temos tempo para os irmãos, não temos tempo para nada.
MULHER: desajeitados, constrangidos, preferimos o escuro, fazemos amor no escuro.

(Tempo. A luz volta. Os três atores estão abraçados, num só bloco. A dramatização prossegue, dessa vez, com um toque de alegria.)

HOMEM: aos domingo, comemos macorronada com frango, é o melhor dia da semana.
MULHER: comemos, bebemos e dormimos.
HOMEM: Se vamos ao teatro, não é para ver a peça e sim aos atores da Globo.
MOÇA: para contar no trabalho na segunda-feira, olha vi a peça da Fernanda Montenegro.
HOMEM: vi a peça da gostosona da Juliana Paes.
MULHER: Via a peça do Antônio Fagundes!
MULHER: nunca sabemos quem escreveu o texto, o nome do autor do espetáculo.
HOMEM: somos fúteis.
MOÇA (bastante animada): em certas ocasiões, somos invadidos por uma súbita felicidade. Então cantamos.

(A música fica mais frenética.)

HOMEM (com a mesma animação): desafinados, mas cantamos!
MULHER: (com confete e serpentina:) a felicidade dura pouco, deve ser o vinho, de qualquer forma, cantamos.
MOÇA: chegamos a ponto de bailar!
MULHER: dançamos pela sala, já não temos a mesma agilidade para a dança, então ficamos mexendo as mãos!
HOMEM: nossas músicas saíram de moda, esquecemos aqueles passo, mas bailamos!
MOÇA: sambamos!

(Os três sambam, de modo desengonçado durante algum tempo. Corte brusco. Tempo. Silêncio. Imobilidade. A luz teatral desaparece. Sob uma luz morna, os três personagens se aproximam da boca de cena: não mais personagens, são apenas atores que dizem o texto, agora, necessariamente ao vivo, de modo direto, simples, olhando na cara do público.)

(Soa o violoncelo solo.)

MULHER: em breve, teremos um filho.
MOÇA: e ensinaremos a ele tudo o que sabemos.

(Tempo. Toca o tema do espetáculo: 1 minuto. Os três fecham os olhos, como se diante de uma refeição.)

HOMEM: Apesar de tudo, obrigado, Senhor, porque na vida existe amor...
MOÇA: salmão...
MULHER: ... e vinho tinto.

Pano.

Isa Fernandes e Pascoal Filizola em cena de O DOCE BLUES DA SALAMANDRA



No belíssimo teatro de Santa Isabel em 13/02/2003.

O DOCE BLUES DA SALAMANDRA
(Editora MXM, PE, Novembro de 2002)
Texto teatral vencedor do Prêmio Cidade do Recife 2000, concorrendo com 96 obras de todo o país. No texto: Callas, Clarice Lispector, Camille Claudel e os limites da paixão, da arte, e da loucura. Na trilha sonora (indicada ao prêmio Joaquim Cardoso): Billie Holiday, Nina Somone e Astor Piazzola.



Veja Fotos do espetáculo.

QUEM VAI AJUDAR O LOBO MAU?
Uma manhã, no bosque, o Lobo Mau acordou
com uma terrível dor de dente; precisava de ajuda,
daí se lembrou que não havia feito um só amigo, a vida toda.
e para piorar, era dia de Natal. E agora?
(Editora Lê, MG, jan 2005)
Infantil. Aquarelas do autor.
PARA QUE SERVE UM AMIGO?
(Ed. Beca, SP, 2002)
Amigo é melhor que sorvete de chocolate:
Com a vantagem de não derreter, não
engordar e não custar nada. Como em
o Pequeno Príncipe, de Exupery, o
livro agrada aos leitores dos 8 aos 80
e é uma ode à amizade. Infanto-juvenil
Adotado pelo governo do Estado de São Paulo.
Prêmio Adolfo Aizen/UBE 2000
(Menção Honrosa)

Monday, November 21, 2005

PUBLICADO NA REVISTA CULT Álbum de Família


1. MEU TIO, O FILÓSOFO RODOLPHO

De tanto ler Heidegger e os antigos hindus, meu tio, o filósofo Rodolpho, chegou à conclusão de que nada existia. Era tudo Maya. Ilusão.
O Imposto de Renda não existia. Não existia Barulho, Contas, Artrite, Assalto, Polícia, Testemunhas de Jeová Vendendo Revistas, Carros a 120KM Por Hora, A Palavra Sovaco, Vazamentos, Falsidade, Suco de Mangaba, Mofo, Queda de Cabelo, Efeito Estufa, Motoboys, Traças, Propaganda Subliminar, Colonização, Ejaculação Precoce, O Cego Geremias na Beira da Estrada, Multinacionais, A Besta Fubana, Prisão de Ventre, Alunos Relapsos, Silvio Santos, Efeito Estufa, O Carro Novo do Vizinho, O Som Novo do Vizinho, A Mulher Nova do Vizinho, Vendedores de Seguros, Miopia, Buraco na Camada de Ozônio, Segunda-Feira, Outro-Tipo-de-Música-Que-Não-a- Clássica, A Cor Roxa, Engarrafamentos, Visitas Fora de Hora, Dengue Hemorrágica, Efeitos Colaterais, Pressão Alta, Beijo de Judas, Gatos no Cio Em Cima do Telhado, Quadros de Hotel de Terceira, Incontinência Urinária, Azia, Falsos Amigos, Poetas de Botequim, Enxaqueca, Mentiras, Poeira - meu tio não parava de rir.
Levaram-no.
No hospício recebeu doses generosas de eletrochoque (lá chamam isso de eletroconvulsoterapia) e de todos os bons fazedores de monstros.
Deram-lhe Thorazine (um fazedor de vampiros - efeitos colaterais: hipersensibilidade ao sol, olheiras, alterações no ciclo do sono, morbidez, e outros).
Deram-lhe Hadol (um fazedor de múmias - efeitos colaterais: rigidez cadavérica, sono profundo, resecamento da pele, e outros).
Deram-lhe Lítio (um fazedor de zumbis - efeitos colaterais: tremores, cabelos espetados, pupila dilatada, apatia, movimento involuntário dos músculos, e outros).
Tudo em vão.
Puseram-no numa cela à prova de som e de luz. (Não, também a cela não existia.).
Meu tio, o filósofo Rodolpho, nunca mais foi visto.



2. MINHA MÃE, A MULHER GORILA

Seu truque feito com espelhos já não me assustava. Por isso, aos oito anos, ganhei o ofício de bilheteiro.
Passei a gostar do pavor da criançada (o medo imposto ao outro dá a verdadeira medida do nosso mal). E, sempre que podia, sempre que um adulto não notava, à saída eu fazia questão de um susto a mais. Tocando-lhes com minha pata peluda.

3. IRMÃ (Mentira & Gula)

Às vezes pecamos devido a uma necessidade tão nobre e imperiosa que aos céus - estamos certos - não resta outra coisa a não ser o perdão. Por exemplo: a irmã entra em casa e vai ligar o aparelho de TV - acontece que estamos lendo na sala, sala esta que é o único lugar na minúscula residência a oferecer o mínimo conforto à leitura, e nós, ao contrário da irmã, adoramos ler. Logo, não resta outra coisa a não ser - na fração de segundo que preenche o tempo antes de os dedos gordos da irmã alcançarem o botão - mentirmos. NÃO HÁ ELETRICIDADE, gritamos. Fazemos isto, religiosamente, todos os dias. E ela, burra que é, acredita, suspira e se vai. Pena a paz não durar muito: há sempre a possibilidade de a irmã burra-gorda-glutona abrir a geladeira, perceber a luz acesa e – num raro lampejo de inteligência - concluir que a eletricidade voltou.

4. ELEGIA (Uma Tia)

Minha tia, igual a mim, também era louca por trens.
Descansava a cabeça (e a vida) em dormentes por tardes inteiras.
Foi um hábito que durou pouco.

5. UM MISTÉRIO

Adorava o campo. E trabalhando de sol a sol meu irmão Akás conseguiu o mais belo vinhedo do São Francisco. Fatalmente haveria de colher uma bela safra, obter vinho da mais alta linhagem. Porém quis o destino - devido a razões misteriosas - que fosse encontrado morto na tão bem cuidada plantação; e também quis o destino - razões não menos misteriosas - que as uvas não amadurecessem. Passaram as estações e elas continuaram viçosas porém verdes; como se esperassem – esperassem o quê?

6. TRANSPORTE (Papai)

Minha fome misturou-se à Ave Maria de Schubert, quando, sozinho, subi para o ônibus e tomei assento na primeira poltrona. A iluminação estava fraca, o que me convinha. Apesar de meio entorpecido de cansaço, não pude deixar de notar: o senhor sentado ao meu lado era o poeta Manuel Bandeira. Ou o seu perfeito sósia. A princípio não dei muita importância. Só me preocupei mesmo com a alta velocidade do veículo e sua falta de atrito, como se voássemos. “ No nosso tempo era mais interessante”, alguém comentou. “Este mundo está a cada dia mais feio”, disse outro alguém. Olhei pela janela. Ruas desertas, como se fosse alta noite. Comecei a me perguntar se não havia tomado o ônibus errado. “Não creio” , me disse o poeta. Polido mas irônico. Detestei ter deixado escapar o pensamento. De qualquer forma, o veículo ganhou mais velocidade, tornando impossível distinguir qualquer traço no mundo lá fora. Virei a cabeça para constatar, todos se vestiam de modo antiquado, como num filme antigo. O poeta bateu no meu ombro: “somos muitos”, e dessa vez deixou escapar um sorriso. Era o poeta Manuel Bandeira, eu não tinha mais dúvidas. Somos muitos, repetiu, mas não se preocupe, alguns você conhece. Pedi parada, ia descer. Estava farto do absurdo kafkiano-nada-original. O poeta balançou a cabeça e caçoou de mim. E ele tinha razão, eu não poderia descer: Porque do fundo do veículo surgiu um homem, um homem que eu não via há doze anos. O poeta bateu de leve em minha coxa, me incentivando. Então eu fui. Ele estava um pouco diferente, mais moço do que quando falecera, um pouco mais alto, sorridente. Mas, seguramente, era o meu pai.